Paulo Pinheiro: Uma Olimpíada de dúvidas

Existe legado olímpico que compense tantos sobressaltos? Aliás, qual será este legado?

Por O Dia

Rio - As Olimpíadas se aproximam, e o clima geral da cidade é de insegurança. E não falo de ameaças terroristas ou daquele friozinho na barriga típico das estreias. Refiro-me à insegurança das balas perdidas que ameaçam quem caminha pelas ruas, ao medo de quem está desempregado ou poderá ficar após a conclusão de tantas obras, à insegurança de ficar doente e não ser acolhido, enfim, à insegurança com o dia de amanhã.

As UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) 24 horas e até as UFAs, nome simpático dado a alguns banheiros públicos, são siglas que ainda figuram na propaganda oficial, mas que já não trazem a mesma esperança ou alívio aos cariocas. O tráfico de drogas e as milícias recuperaram o controle de diversos territórios, mesmo os ‘pacificados’; crianças são mortas na porta de casa; trabalhadores, assaltados à luz do dia, e policiais tombam numa guerra que parece não ter fim — agravada pela falência indiscutível do Estado do Rio de Janeiro, fruto de uma incompetência de gestão sem precedentes.

Na área da Saúde, o drama não é menor. Não bastassem os problemas de sempre (falta de profissionais, baixos salários, filas para atendimento e demora na marcação de consultas e exames), o Rio se vê numa luta inglória contra o mosquito transmissor de dengue, zika e chicungunha. A imprensa internacional emite alertas para os que virão ao Brasil, levando a nossa sensação de insegurança para além das nossas fronteiras.

Mas não tem jeito, a sorte está lançada. No início de agosto, o Rio vai receber dois milhões de visitantes olímpicos com a insegurança de muitas interrogações. Será que o crime organizado vai dar uma trégua? O carioca vai adoecer menos? A Linha 4 do metrô vai ficar pronta? As obras de Eduardo Paes vão parar de dar problemas? Vai ter ressaca? O mosquito vai dar um tempo? E se chover? O anfitrião ou a anfitriã principal vai ser a presidente afastada ou o presidente interino? Existe legado olímpico que compense tantos sobressaltos? Aliás, qual será este legado?

Paulo Pinheiro é  Vereador pelo Psol 



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