Jaguar: Fica tudo pra depois

Mas não sejamos injustos: deu a doida global nesta Olimpíada

Por O Dia

Como no samba de Zé Kéti (“mal que findou só depois do Carnaval”), tudo no Brasil vai ficar para depois da Olimpíada, como a hipotética cassação de Cunha, o equilibrista que não cai nem sai de cima. Traz à lembrança o título de romance de Fausto Wolff, ‘O equilibrista pede desculpa e cai’. Fausto, como quase ninguém mais se lembra, foi um escritor brasileiro que será esquecido pelo gigante adormecido e desmemoriado. Como João Antônio (‘Malagueta, Perus e Bacanaço’) , Jorge de Lima (‘Invenção de Orfeu’) e Américo Facó (‘Ar da floresta noturna’) e tantos outros que até eu já esqueci.

Mas não esqueci da euforia do prefeito Eduardo Paes. Em 2009, ele comemorou com o então governador Sérgio Cabral, o então presidente Lula, o então ministro do Turismo, Orlando Silva, e o eterno presidente da COB, Arthur Nuzman, quando o Rio foi escolhido para sede, ganhando de Chicago, Tóquio e Madri.

Agora, sete anos depois dos pulinhos de alegria, nosso alcaide declarou para o ‘Guardian’, de Londres, que a escolha do Rio foi oportunidade perdida. E adverte os gringos sobre os perigos da saúde pública e a falta de segurança. Será que nunca ouviu da mamãe e da vovó que roupa suja se lava em casa?

Mas não sejamos injustos: deu a doida global nesta Olimpíada. A Rússia, que só foi superada pelos Estados Unidos em números de medalhas em Londres, foi excluída pela COI por doping. Tremenda injustiça com muitos atletas campeões que nunca se doparam.

No Brasil, o nadador César Cielo — recordista mundial — e o cavaleiro Rodrigo Pessoa, glórias do nosso esporte, foram excluídos porque não alcançaram o índice. Se no dia da prova estavam com piriri ou gripados, azar o deles: ficaram fora. Seja como for, só faltam 15 dias para a abertura. Tudo pode acontecer. Inclusive dar certo.

Quarta-feira, fui ao lançamento do livro ‘Meu avô Leonel’, de Juliana Brizola e Rejane Guerra (Letra Capital) na Travessa de Ipanema. Conheci Brizola através de Nelma, secretária do ‘Pasquim’, que tinha uma paixão total e irrestrita por ele. E de Darcy Ribeiro, admirável figura do século 20. Eu me orgulhava de ser seu amigo.

Não entendia como um intelectual daquele calibre adorava Brizola, com seu jeito de caudilho e seu chimarrão. Depois descobri o quanto era brilhante. E um grande frasista. Algumas amostras: “A propriedade privada é tão boa que a queremos para todos.” “Eu sou como o pão de ló. Cresço quando me batem.” E o famoso “costeando o alambrado”, ditado que usava quando um militante queria sair do PDT.

Últimas de _legado_Opinião