Jaguar: O canguru do prefeito

Paes periga ser expulso dos Jogos. Motivo: tentar desestabilizar a equipe da Austrália

Por O Dia

Na semana passada eu disse que nesta Olimpíada tudo poderia acontecer, inclusive dar certo. Mas agora, graças ao nosso estapafúrdio prefeito (desculpem o palavrão, mas não achei outro adjetivo cabível), estou pensando em retirar a parte final da frase. Logo ele, um dos mais aguerridos defensores da nossa cidade como sede dos Jogos. Teve sete anos para arrumar as coisas e, quando chegou a hora, disse, numa entrevista ao ‘Guardian’, que foi “uma oportunidade perdida”.

O canguru do prefeitoCharge de Jaguar para 31-07

Foram tantos os protestos que pensei que tinha se arrependido da mancada; talvez algum assessor tenha sussurrado um conselho tipo “menos, prefeito, menos”. Mas que nada. Depois que a delegação australiana reclamou das acomodações (risos) a ela destinadas — apartamentos sujos e inacabados, com goteiras e fiação exposta —, tascou outra tamancada: “Até quinta-feira vai estar tudo pronto, e ainda vou providenciar um canguru para eles se sentirem em casa.” Nunca pensei que fosse capaz de uma grosseria dessas.

A resposta dos australianos, polida e acachapante, deixou este munícipe que vos fala morto de vergonha: “Não precisamos de cangurus, precisamos de encanadores.” Para piorar a coisa, algum gaiato botou a estátua do marsupial na frente do prédio da Austrália na Vila.

Mas não ficou nisso: domingo, 19, a velejadora Liesi Tesch e uma fisioterapeuta foram assaltadas no Aterro. Roubaram suas bicicletas. Paes empurrou a culpa para o governo estadual: “Tenho que matar no peito e responder.” Não ficaria surpreso se o Comitê Olímpico Internacional proibisse o prefeito de participar da Olimpíada. Motivo? Tentativa de desestabilizar a equipe da Austrália.

Por falar no bicho: você já viu um canguru? Eu não. Aprendam com a sabedoria do Millôr: “O capitão Cook, explorador da Austrália, ao ver aquele estranho animal dando saltos de mais de dois metros de altura, perguntou a um nativo qual era o nome do bicho. Ele respondeu no seu dialeto ‘Não sei’.”

Millôr desconfiou dessa história e pesquisou em alguns dicionários etimológicos. Descobriu que a palavra ‘kanga’, acompanhada do sufixo ‘rôo’, significa ‘quadrúpede saltador’. Em suma:os aborígenes não davam nome para o bicho, apenas diziam que dava pulos. Millôr contou essa história para Paulo Rónai, notável linguista. “Gostei de saber a origem do nome”, disse . E acrescentou: “Mas achei a outra versão mais bonitinha.


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