Wilson Diniz: Júlio Bueno não é Keynes

É errado colocar o secretário de Fazenda como réu da crise financeira do estado

Por O Dia

Em recente reportagem de um grande jornal do Rio, foi publicada matéria com o título ‘Cofre vazio x Cofre cheio’, comparando as finanças do estado com as do município. O jornalista que a assina esqueceu de recorrer a recentes publicações sobre o tema. O livro ‘Um estado em transição’, da FGV, mostra a evolução das despesas por função, onde a segurança pública representa o maior volume de gastos públicos, superando a pasta da educação e a da saúde.

Analisar gastos pelas despesas com pessoal não explica o desequilíbrio. Sérgio Cabral prometera em campanha um programa ambicioso de combate à violência e à criminalidade importado da Colômbia. Os gastos com salários das policiais aumentaram acima da inflação, em conjunto com o crescimento do número de novos policiais e de investimentos em UPPs, políticas estas elogiadas por organismos internacionais. As comparações entre as duas esferas do poder merecem reanálise, até porque as fontes orçamentárias têm origens diferentes e sofrem efeitos diretos de variáveis macroeconômicas distintas.

O estrangulamento da receita do governo do estado decorreu da queda do preço do petróleo, que estava cotado a mais de 100 dólares e chegou a níveis abaixo do ‘break-even-point’ de 50 dólares para investimentos da Petrobras. Para agravar a crise, ocorreu queda real de receitas em toda a cadeia produtiva que envolve petróleo, energia e telefonia, enquanto os gastos com despesas fixas subiram.

No conjunto de políticas desenvolvimentistas implantado por Cabral, o governo errou na dose de incentivos sem previsões estratégicas de queda do PIB de 4% e da crise política que paralisou investimentos privados.

Não se justifica comparar isso com a solidez financeira do município, que conta com ISS, IPTU e ITBI, ainda mais quando os investimentos para realização da Olimpíada superaram R$ 40 bilhões só na cadeia produtiva da construção civil. É errado colocar o secretário de Fazenda como réu da crise financeira do estado. A pasta segue diretrizes políticas do governador e ingerências de deputados e de lobistas na máquina de arrecadação.

Wilson Diniz é economista e analista político

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