Marcos Espínola: Segurança é a medalha mais almejada

Um planejamento integrado, contando com o setor de inteligência de cada instituição, certamente trará bons frutos

Por O Dia

Com o início das competições, o clima olímpico pouco a pouco envolve a todos. E mesmo os mais avessos ao esporte, inevitavelmente, são atingidos pelas mudanças na rotina, desde as alterações no trânsito, passando pelos turistas, até o aparato de segurança, com soldados fortemente armados nas ruas da cidade. Um clima que, inicialmente, até representaria tranquilidade; porém, essa sensação é parcial. Se por um lado há, sim, maior segurança, por outro ela se concentra em determinadas áreas, ficando outras vulneráveis a ações de bandidos.

O esquema envolvendo mais de 80 mil agentes de segurança, segundo o Ministério da Justiça, entre polícias Militar, Civil, Federal e Forças Armadas, nos traz reflexões e até discussões que merecem permanecer após os Jogos. A primeira é que a integração é um caminho a ser considerado. Um planejamento integrado, contando com o setor de inteligência de cada instituição, certamente trará bons frutos não só para o Rio, mas para todas as capitais brasileiras.

Discute-se isso, pelo menos, há mais de 40 anos, mas já passou da hora de, efetivamente, isso sair do campo das ideias e ir para a prática. Não adianta ficar apagando incêndio e priorizando ações pontuais para garantir a realização de eventos. Mesmo porque a Olimpíada é o último dessa sequência que iniciou com o Pan de 2007, depois com a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, e a Copa do Mundo. Vai demorar para organizarmos algo com essa dimensão. No entanto, a violência continua crescendo.

Autoridades já solicitaram a permanência da Força Nacional até as eleições municipais, em outubro, mas isso é pouco e se apresenta como uma medida paliativa e não como uma estratégia objetiva para amenizar a violência e combater o crime organizado.

Segurança não é algo simples, exemplo disso é que mesmo com todo esse aparato para os Jogos, vergonhosamente ocorreu um arrastão no Flamengo, a poucos metros da sede do governo. Uma ousadia que nos sinaliza o ponto a que chegamos e nos preocupa quanto ao que está por vir se não tomarmos sérias providências.

Nesse momento em que o mundo olha para o Brasil e para o Rio por conta de recordes e ouro olímpico, devemos deixar claro que a medalha que mais almejamos é a da segurança.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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