Por pierre

Passada a Olimpíada e com o início, hoje, do julgamento da presidente Dilma, o Brasil e não apenas o governo precisa cair na real e preparar a retomada do crescimento. A situação na economia é muito grave, a questão do emprego preocupa pelo lado do social, em meio ainda a uma campanha eleitoral diferente das anteriores. O sucesso da Rio 2016, o afastamento definitivo de Dilma e a confirmação do presidente Temer não resolverão o drama na economia, as dificuldades das empresas, a falta de confiança para o investimento privado. Há muito que fazer e a exigir dos parlamentares um mínimo de sensibilidade para medidas amargas que se fazem necessárias para o resgate do país.

A reforma na legislação contra a corrupção está sendo tratada de forma emocional, desrespeitando a própria Constituição, como a que veda a participação em estatais de brasileiros que tenham militância político-partidária, criando duas categorias de cidadania, a que participa do processo democrático e os que vivem alheios a mais elementar forma de integrar o processo. Pura demagogia, assim como o pacote em debate com viés arbitrário. Combater a corrupção, pôr fim à impunidade que a alimentou por décadas, é uma aspiração nacional, mas que seja respeitado o direito de ampla defesa. Nas propostas, a mais correta é a que encurta os processos relativos aos abusos, para o que bastaria uma prioridade no Judiciário, como a que vigorou para questões eleitorais na Constituição de 46. Depois é que se permitiu a aberração da Justiça Eleitoral demorar tempo demasiado para julgar casos gravíssimos de vícios no processo, protegendo mandatos nascidos da fraude.

A prioridade, entretanto, são as reformas na área da economia, das relações trabalhistas, da simplificação fiscal. O Brasil aparece entre os países com ambiente de negócios hostil ao capital, tendo apenas como atração seu gigantesco mercado. Precisamos ingressar na competição internacional, e já. Cada tostão de investimento disponível é disputado pelos demais países. Sem coragem e patriotismo, vamos perder mais uma oportunidade de atender à imensa população que espera por uma oportunidade de melhorar de vida de forma sustentável.

Aproveitar o legado olímpico gerando oportunidades no Rio para empresas e o turismo, ajudar o Estado a obter receitas tocando o Comperj, desvirtuado pela corrupção que varreu a Petrobras, investir na melhoria da mão de obra são metas a serem perseguidas.

Aristóteles Drummond é jornalista

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