Por pierre

Acabaram os Jogos, e graças a Deus todos os nossos problemas de segurança pública continuam sendo os mesmos que tínhamos antes de o evento começar. Por sorte (talvez até pelo fato de que não houvesse mais pessoas motivadas para agir de forma terrorista do que aquelas que se expuseram de forma primária e acabaram presas na Operação Hashtag), não tivemos quaisquer ações de atentado perpetradas por terroristas clássicos. Mas o fato é que, pela própria dinâmica das ações do Estado Islâmico e associados, nós no Brasil entramos em sua lista de alvos e isso se constitui num risco permanente. Já bastam os confrontos armados que não cessaram de acontecer, que deixaram muitos civis baleados, além, claro, dos policiais.

Atentados terroristas clássicos não são coisa que aconteça todo dia; e como não ocorrem, podemos levar bom tempo com uma segurança insuficiente, vulnerável e com procedimentos inadequados, até que venhamos a ser exigidos de verdade. Essa é a Segurança da Boa Sorte, do “como ninguém tentou, não aconteceu...”, e hoje nós realmente estamos desfrutando dela!

Se algum traficante ficasse contrariado e houvesse empregado seus explosivos num propósito que não o de arrombar caixas eletrônicos? Se duplas de jovens criminosos em motos, com pistolas automáticas com carregadores de grande capacidade, houvessem resolvido agir ‘na pista’, contra os ‘alvos civis’? Não dá pra dizer que não temos sorte!

Espero que revejamos procedimentos e percebamos que precisaremos implementar a Segurança das Boas Táticas, onde o fato de nenhuma adversidade não ter ocorrido não esteja associado apenas ao fato de que ninguém ousou intentar contra nossos objetos de proteção, mas, em vez disso, pelo fato de estarmos fazendo os deveres de casa.

Quando o Exército e os Fuzileiros saírem das ruas e quando não houver outras formas de reforço, nós vamos ter de agir sozinhos, e aí a sociedade vai se lembrar da crise que acometia nossas forças de segurança. Nas palavras de experiente policial que conheço: “A ‘chapa’ não esfriou, nós é que levamos uns dias sem nos preocuparmos com a intensidade da temperatura dela...” Convém agora que voltemos pro mundo real!

Vinícius Domingues Cavalcante é diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança

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