Júlio Furtado: A ladainha da Educação sem qualidade

O Ensino Médio aparece, mais uma vez, como o pior aluno da classe

Por pierre

Foram divulgados os números do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) relativos a 2015. Mais uma vez, somente o Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano) ‘passou de ano’. O Fundamental II (6º ao 9º) ficou reprovado por dois décimos, e o Ensino Médio, por seis décimos. Para chegar ao Ideb, o Ministério da Educação calcula a relação entre o rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e o desempenho em Português e Matemática na Prova Brasil, aplicada para crianças do 5º e 9º ano do Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio.

O Fundamental I está de parabéns pelo bom resultado. Conseguiu manter os três décimos acima da meta nacional em 2015 (meta: 5,2; nota: 5,5) que já havia conquistado em 2013 (4,9 a 5,2). Temos que registrar, porém, que esse segmento tem diversos fatores a seu favor: os professores constroem vínculos mais fortes com seus alunos e avaliam melhor seu desenvolvimento, além de serem mais disponíveis para a formação continuada. Os pais acompanham a vida escolar dos filhos mais de perto.

O Fundamental II, embora ‘reprovado’, também está de parabéns, pois aumentou três décimos de 2013 para 2015, coisa que não ocorria desde 2007. O segmento enfrenta, além das características inquietantes da pré-adolescência, pouco vínculo na relação professor-aluno, problemas na formação dos professores e menor acompanhamento da vida escolar pelos pais. Proporcionalmente aos fatores contrários, subir três décimos na média é um feito que merece destaque.

O Ensino Médio aparece, mais uma vez, como o pior aluno da classe, não conseguindo ultrapassar 3,7desde 2011. A pergunta que não pode calar é “o que se fez de concreto por esse segmento para que ele superasse sua dificuldade?”. Sabemos há muito tempo que o Ensino Médio é o redentor da Educação Básica e por isso tem um currículo inchado e enciclopédico. É desconectado dos reais interesses dos adolescentes, o que o faz um campeão de evasão. Há mais de 10 anos faltam professores para matérias como Física, Química, Matemática, Geografia e Biologia, e os que existem carecem de boa formação. Quero registrar que, sem uma total reestruturação, o Ensino Médio não conseguirá ser aprovado e continuaremos a mesma ladainha da Educação sem qualidade.

Júlio Furtado é professor e escritor

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