Fernando Scarpa: Pizzaria Três Poderes

Não há cirurgião plástico capaz de reconstruir a Constituição, tal a desfiguração

Por pierre

Bateram a carteira da Constituição em pleno Senado Federal, na cara do povo brasileiro e do mundo. Havia interessados neste ‘golpe’ com a chancela do presidente do STF. A mentora, dizem, foi a senadora Kátia Abreu, que não agiu sozinha com certeza, teve cúmplices! De todo modo, merece aplausos, é parlamentar das mais criativas, isso não se pode negar. Por essa astúcia, ninguém esperava. O efeito surpresa foi paralisante, tudo com características típicas de um assalto em que a pressa garante o sucesso. Bom, experiência em roubo há, vide o estado da nação, inevitável a conclusão.

No instante em que Lewandowski começou a ler alfarrábios escritos a lápis e a caneta em pedaços de papel avulsos, sugeria algo de última hora. No decorrer do manuseio das anotações, entregou: tudo datava do sábado anterior. Sim, havia uma trama em curso com interesse de pegar uma carona no impeachment de Vana. Esta foi a intenção, não a de preservar os direitos políticos dela, já carta fora do baralho. Consta que mais da metade do Senado está encrencada, corre risco de perder mandato, mas pode se dar bem com esse abre-alas de não perder direito político e se candidatar na eleição seguinte.

Rolando Lero, personagem da ‘Escolinha do Professor Raimundo’, encarnado no presidente do STF, falava no plenário para a nação perplexa. Tentava dar seriedade e lógica ao inconstitucional fatiamento do impeachment. Num momento gourmet, lançou um novo paladar da gastronomia italiana: pizza à moda Constituição, fatiada a Lewandowski, servida com molho Renan, assada no forno do PMDB, com lenha de diversos partidos.

A iguaria encantou até os que bradavam que o impeachment é golpe e que estavam rasgando a Constituição àquela altura. Esta, tratada como pessoa, já foi tão retaliada, que deve estar um monstro. Não há cirurgião plástico capaz de reconstruí-la, tal a desfiguração. Renan, já no púlpito, dando acabamento à carteirada constitucional, buscou mais ênfase ao discurso grotesco, cometeu o ato falho de esquecer a peça que compunha a encenação; pediu ao assessor que trouxesse o libreto para rasgá-lo definitivamente. Como fascista, falou convicto, em nome da lei, o que ela não disse.

Fernando Scarpa é psicanalista

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