Lélis Teixeira: Mobilidade urbana, um desafio de todos

O desafio de equipar toda a frota com ar-condicionado esbarra em diferentes obstáculos

Por O Dia

Desde 2010, quando foi assinado o contrato de concessão do serviço público de passageiros por ônibus, o Rio de Janeiro adotou um novo conceito de mobilidade urbana, com definições claras em relação a direitos e deveres das empresas, dos passageiros e do poder público. O documento, por exemplo, define a vida útil dos veículos em até oito anos. E um decreto municipal de fevereiro de 2014 determina que todo ônibus novo incorporado à frota deve estar equipado com ar-condicionado. A nova regra, mesmo não prevista no contrato de concessão, vem sendo rigorosamente cumprida pelos consórcios. Mais de 60% das viagens já são feitas em veículos refrigerados na cidade.

O desafio de equipar toda a frota com ar-condicionado esbarra nos limites de produção dos fabricantes de ônibus (não há como adaptar equipamentos de refrigeração em veículos em uso); na dificuldade de financiamento para compra de coletivos; e na capacidade financeira das empresas, que promovem anualmente a renovação de parte da frota.

A ideia de que o transporte de passageiros gera grandes lucros não representa a realidade atual do setor de ônibus e está divorciada da realidade do país, em que cerca de 35 milhões de pessoas sequer têm condições de pagar pelos deslocamentos, segundo o Ipea. O setor tem enfrentado um cenário econômico desfavorável, que já provocou o fechamento de seis empresas - cinco delas com atuação na Zona Oeste.

As dificuldades, no entanto, não impediram investimentos em tecnologia. O Rio tem um dos sistemas eletrônicos de pagamento mais avançados do país, com 80% das passagens pagas por meio de cartões RioCard. E uma ampla rede para compra e recarga do cartão, formada por mais de 600 pontos, entre lojas próprias e parceiros, traz mais praticidade ao passageiro. Para os locais não administrados pela RioCard, fora do município do Rio, cobra-se uma taxa de 3% em cada operação, que visa a garantir o conforto do usuário, que tem cada vez mais lugares disponíveis para recarregar seus cartões.

A cobrança pelo motorista ocorre somente nas linhas em que no mínimo 70% dos pagamentos são feitos eletronicamente. E, segundo o Ministério do Trabalho, não há impedimento legal para que o motorista realize a cobrança. Uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho, inclusive, reafirmou essa autorização.

As empresas também têm feito investimentos contínuos em acessibilidade. Hoje, 91% da frota estão equipados com elevadores hidráulicos para embarque e desembarque de usuários com mobilidade reduzida. A adaptação de toda a frota ocorrerá gradativamente com o processo de renovação dos veículos, demonstrando o esforço das empresas em atender às leis vigentes, oferecer conforto, segurança e qualidade ao usuário.

Lélis Teixeira é presidente do Rio Ônibus

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