Emílio Figueira: Paralimpíada, superação e autoestima

Por muito tempo nem se falava em Paralimpíada. Hoje toda a imprensa brasileira aborda o tema

Por O Dia

Já estamos acostumados a ver nos esportes pessoas se superando em busca de conquistas e resultados, o que se reflete também na vida desses atletas e de quem os prestigia. Se já tivemos vários exemplos dessas histórias de superação na Olimpíada do Rio, imagina na Paralimpíada? Ela beneficiou não só os para-atletas, mas a construção de uma sociedade inclusiva. Este é o maior evento esportivo mundial envolvendo atletas com deficiências física ou intelectual.

Realizada pela primeira vez em 1960 em Roma, Itália, a Paralimpíada teve sua origem em Stoke Mandeville, na Inglaterra, onde ocorreram as primeiras competições esportivas para pessoas com deficiência, como forma de reabilitar militares feridos na Segunda Guerra Mundial. Dezesseis anos depois, já eram 40 países competindo, levando a mais pessoas com deficiência a possibilidade de praticar esportes em alto nível em 27 modalidades.

O esporte devolve à pessoa com deficiência funções e atividades na vida. Ela se descobre capaz de realizar coisas que nem imaginava e até de forma competitiva. A convivência coletiva com outros atletas, equipe e tantas outras pessoas fortalece ainda mais a sua autoestima. E nesse círculo, a inclusão social ocorre de modo natural.

Por muito tempo nem se falava em Paralimpíada. Hoje toda a imprensa brasileira aborda o tema e até canais de televisão transmitem modalidades ao vivo. Mas é importante atentar para o fato de evitar estigmas, muitas vezes carregados de tintas piegas. Os para-atletas não são nem coitadinhos, nem super-heróis. Os paralímpicos são pessoas preparadas para dar o melhor de si, pessoas como as demais, com erros e acertos. E com resultados surpreendentes!

Nas últimas edições os esportes paralímpicos deram mais resultados ao Brasil do que os esportes olímpicos. As pessoas sem deficiência veem que esses atletas são capazes e, consequentemente, a sociedade rever de forma positiva os seus conceitos sobre deficiência. Além que outras pessoas com deficiência sem ser atletas podem se espelhar nelas, descobrir-se capaz de realizar seus sonhos e se superarem. E nesse jogo todos ganham!

Emílio Figueira é autor do livro ‘Psicologia e Inclusão’ (Wak)

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