Nelson Vasconcelos: E viva Nelson Rodrigues

Quantas dessas informações abaixo você diria que são verdadeiras?

Por O Dia

A realidade está assustando “brasileiros de todos os brasis”. Por isso, vamos fazer um teste, a ver se você acredita em tudo o que lê.

A história se passou (ou não) em 1996, na Praça 11, durante um espetáculo do Circo Beto Carrero World.

Disparada provavelmente de um morro a dois quilômetros dali, uma bala de fuzil AR-15 perfurou a lona e foi parar no peito de um homem que estava na segunda fileira da arquibancada, bem em frente ao picadeiro. Ele acabou morrendo a caminho do hospital.

Em desespero, a mulher que estava ao seu lado afastou-se rapidamente, não atrás de socorro, mas porque não queria ser descoberta. Aproveitou-se da confusão, desconversou, saiu do circo, pegou a condução, foi para casa e ficou quieta.

Mas deu azar.

Naquela época, bem anterior à profusão de smartphones e câmeras digitais a preços populares, era comum que fotógrafos circulassem registrando flagrantes de pessoas em ambientes públicos, como pontos turísticos e casas de espetáculos. Ou circos. Eles então tinham que revelar as fotos a tempo de vendê-las aos personagens, que sempre ficavam surpresos com as imagens. Estas vinham emolduradas num pratinho de plástico ou em papel-cartão, numa apresentação tão kitsch quanto simpática. Eram, afinal, uma feliz lembrança inesperada de um momento de diversão. Difícil resistir, e muitos fotógrafos ganhavam dinheiro com isso. Eis aí, por sinal, um ofício que morreu.

Uma das minhas fotos mais antigas, aliás, foi feita no velho Galeão, desativado para voos de passageiros em 1977, quando o atual Aeroporto Tom Jobim entrou em operação. Já não tenho mais essa foto. Sei que estava usando as botinhas do Batman, calça jeans, camisa xadrez. Eu estendia uma revistinha a alguém fora do enquadramento, provavelmente o meu pai.

Recuei muito no tempo, mas volto a 1996 para dizer que a mulher no Beto Carrero World, agora desaparecida, tinha sido fotografada ao lado do homem, agora morto. E ela só ficou sabendo disso pela polícia, que fora alertada pelo fotógrafo. Os investigadores mostraram a foto para a família do defunto, e a mulher foi facilmente identificada.

Era amante dele.

Encontravam-se furtivamente havia treze anos.

Mais que isso, ela era casada com o irmão da vítima.

Pois bem: quantas dessas informações aqui acima você diria que são verdadeiras? Quanto disso tudo é lorota? Você acredita em tudo o que lê?

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Nelson Vasconcelos é jornalista

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