Aristóteles Drummond: Serviços de aeroporto

Um país com 12 milhões de desempregados, e não acontece uma oportunidade que poderia surgir de uma simples canetada

Por O Dia

Burocracia de um lado, demagogia de outro. No meio, a incompetência e insensibilidade no trato do interesse público fazem com que a vida do cidadão seja prejudicada em seu dia a dia desnecessariamente.

Em nossos aeroportos, os carregadores atuam apenas na partida, da calçada até o balcão da empresa aérea, ajudando idosos, gestantes, pessoas com limitações para carregar peso. Mas, na chegada, para a retirada de malas geralmente com mais de 20 quilos — nas viagens internacionais, a bagagem ainda é mais pesada —, nem um trabalhador, cadastrado, fiscalizado, tem acesso para prestar seus serviços e ganhar honestamente a vida. Talvez por não serem numerosos. Na verdade, pouco mais de uma centena de credenciados vive na orfandade política, disse-me o maleiro no Santos Dumont Roberto Carlos, com muitos anos na profissão.

Agora mesmo, com os aeroportos repaginados pelas concessões, era o momento de se socorrer o passageiro que precisa de auxílio, sob pena de comprometer sua saúde. Não são raros os casos de hérnias que levam o cidadão a uma cirurgia de emergência. A ocorrência, muito comum, tem como primeira recomendação médica o não levantar peso. Parece um detalhe menor, mas são milhares de passageiros que passam por dia em nossos aeroportos e sofrem com a falta deste serviço essencial, prestados por trabalhadores, é sempre bom repetir, credenciados para este fim.

Em Portugal, infelizmente, desde o movimento do 25 de abril, não existe carregador nem para embarque e muito menos para desembarque, o que levou a TAP a ter o check-in da classe executiva no térreo do Aeroporto de Lisboa. Parece que o preconceito ideológico do populismo de esquerda resolveu punir quem se atreve a viajar com bagagem. Como sempre, sofrem os menos favorecidos, já que os ricos contam com motoristas particulares e desfrutam tratamento especial dos passageiros da executiva ou da primeira classe.

Um país com 12 milhões de desempregados, e não acontece uma oportunidade que poderia surgir de uma simples canetada. Os passageiros seriam beneficiados, mas os trabalhadores a serem aproveitados muito mais, pois passam a ter acesso a uma função que remunera bem e não custa investimento, pois é tarefa de autônomos. Um aeroporto do porte do Galeão pode empregar pelo menos 100 carregadores ou maleiros, em três turnos.

Aristóteles Drummond é jornalista

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