Por bferreira

Rio - As Unidades de Polícia Pacificadora não devem mais ser olhadas somente pela ótica da segurança pública. Após a secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, ligar a melhoria das notas dos alunos das escolas municipais à retomada dos territórios, é a vez de a Comlurb anunciar a ‘Revolução do Lixo’: segundo o diretor de operações Luís Guilherme Gomes, a empresa recolhe hoje quatro vezes mais detritos em 18 comunidades já pacificadas. Só neste ano, a economia foi de R$ 11 milhões para os cofres da prefeitura — algo em torno de 1,1% do orçamento anual da Comlurb.

Na Zona Norte%2C as novidades da empresa%3A compactador recebe o lixo do contêiner%2C carregado por tratorJoão Laet / Agência O Dia

“Antes, o morador não acreditava que regularizaríamos o serviço, pois ficávamos dois, três dias sem aparecer por conta da insegurança”, conta o diretor. “O lixo espalhado é bem mais caro do que o acondicionado”, emenda.

Por conta disso, a empresa recolhe 8,5 mil toneladas a mais de detritos por mês nas comunidades pacificadas, ou 3,3% do lixo produzido na cidade. Tal número não era contabilizado devido às dificuldades de trabalho. “Antes, eu precisava de quatro caminhões para fazer o serviço que apenas um faz hoje”.
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Mas a produtividade que ganha destaque aqui é o fator que menos importa na equação pós-UPP. As condições de saúde dos moradores melhoraram com a diminuição de vetores que vivem do lixo, como ratos e baratas. Mais: se apenas um caminhão leva o que antes quatro levavam, há um despejo menor de monóxido de carbono e economia de combustível. O remanejamento da mão de obra, já que demanda por motoristas de caminhões caiu, também entra na conta.
Luís garante que o antídoto para o hábito de jogar o lixo de qualquer maneira passa pela regularidade. E conta que a empresa criou sistema de coleta com minicontêineres perto de vielas, cujo lixo é retirado por tratores adaptados duas vezes ao dia.
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Na Rocinha, coleta ‘só’ duplicou
A Rocinha também é citada pelo gerente da Comlurb. Lá, onde ele diz que a coleta ainda precisa melhorar, a quantidade de lixo recolhido praticamente dobrou após a UPP.
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“E nem estou precisando aumentar a mão de obra. Na rua, desordenado, recolhia duas toneladas. Mas no compactador, o caminhão basculante, em vez desta quantidade, vai levar quatro vezes mais. Em vez de duas, vai levar oito toneladas. Economizo na mão de obra, no combustível, nos pneus e no tempo”, revela.
Luis Guilherme conta que o processo anterior à UPP, quando o lixo ficava espalhado pela comunidade, exigia a utilização de pá mecânica, um equipamento que considera caro. “O melhor do processo é que estou tirando mais lixo. Na Rocinha, antes da UPP, tirava 90 toneladas por mês. Hoje, já estou retirando 160 toneladas. E olha que lá ainda não está perfeito”, finaliza o diretor.
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Jacarezinho, a nova estrela
O Jacarezinho, ainda sem UPP mas já ocupado pela Polícia Militar, é a mais nova estrela da Companhia de Limpeza Urbana do Rio. De lá vem uma outra experiência para a empresa: contêineres com capacidade para 3 mil litros de lixo abertos com pedal. Luís Guilherme confessa que temeu pelo pior.
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“Os pedais são de metal e temíamos furtos”, conta. “Mas até agora não houve depredação”.
Para ele, o fato de ter acatado os pontos indicados pelos moradores para recolher o lixo — nas avenidas Dom Helder Câmara e dos Democráticos — explica o sucesso inicial. “Acabamos de implantar o processo. Como está dando certo, vamos avançar com ele”.
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