Rio - Uma pequena fábrica com apenas oito operários, em Cavalcante, no subúrbio do Rio, é a responsável pelo fornecimento de 1,5 milhão das 4 milhões de hóstias que serão oferecidas aos fiéis durante a Jornada Mundial da Juventude.
A empresa Hoste, há cinco anos no mercado, acelerou a produção, comprou maquinário novo e contratou mais cinco pessoas para dar conta da encomenda sacra que deve ser entregue, sem atrasos, até 1º de julho.
A fábrica é a única representante carioca entre os três fornecedores escolhidos pelo Comitê Organizador da Jornada para abastecer o encontro na cidade com o Papa Francisco, entre os dias 23 e 28 de julho.
“Estou orgulhosa. É uma honra. O esforço é três vezes maior, mas tudo é feito com muito amor”, diz a proprietária, Silvana Queiroz, de 40 anos, que tem trabalhado 15 horas por dia, sem direito a descanso aos domingos.
A Hoste produz entre 60 mil e 80 mil hóstias por dia. A receita é simples: leva trigo e água, mas a consistência é que faz a diferença. Não pode esfarelar. “Acredito que fomos escolhidos por indicação das paróquias do Rio, já que nossas hóstias têm muita qualidade”, garante.
O único lamento de Silvana é não ter conseguido empréstimo para aumentar a produção. “Um financiamento cairia do céu. Temos que gastar antes para receber depois”, diz ela, que não sabe se conseguirá ver o Pontífice de perto, mesmo já tendo concluído 70% da produção encomendada pela Igreja.
“Gostaria muito de ir à Jornada, mas não sei se vai dar. As paróquias cariocas também aumentaram muito os pedidos com a vinda dos peregrinos”, revela Silvana.
Produção no interior paulista
Católico fervoroso, o empresário João Tadeu Benatti, 62 anos, comanda a Fábrica de Hóstias São Francisco, em Mococa, interior paulista, de onde sairão mais 1,5 milhão de unidades que serão distribuídas nas missas da Jornada.
A fábrica saiu na frente e antecipou a entrega da encomenda. “Vamos levar tudo esta semana para o Rio. Se precisarem de mais hóstias, estamos prontos para atender”, garante.
A cada mês, são compradas 20 toneladas de farinha de trigo, usadas na fabricação de 18 milhões de hóstias, que saem a R$ 17 o milheiro. A produção diária é de 800 mil unidades, suficientes para abastecer 2.200 igrejas brasileiras.
Antes do corte, a massa em formato de disco lembra uma panqueca. Para cada quilo de trigo, acrescenta-se 1,2 litro de água, mas o processo é guardado a sete chaves. “Não existem máquinas como a nossa. Graças a Deus”, diz.