Por thiago.antunes

Rio - Uma pequena fábrica com apenas oito operários, em Cavalcante, no subúrbio do Rio, é a responsável pelo fornecimento de 1,5 milhão das 4 milhões de hóstias que serão oferecidas aos fiéis durante a Jornada Mundial da Juventude.

A proprietária%2C Silvana Queiroz%2C 40%2C está animada com a perspectiva de ter suas hóstias consumidas pelo PapaJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

A empresa Hoste, há cinco anos no mercado, acelerou a produção, comprou maquinário novo e contratou mais cinco pessoas para dar conta da encomenda sacra que deve ser entregue, sem atrasos, até 1º de julho.

A fábrica é a única representante carioca entre os três fornecedores escolhidos pelo Comitê Organizador da Jornada para abastecer o encontro na cidade com o Papa Francisco, entre os dias 23 e 28 de julho.

“Estou orgulhosa. É uma honra. O esforço é três vezes maior, mas tudo é feito com muito amor”, diz a proprietária, Silvana Queiroz, de 40 anos, que tem trabalhado 15 horas por dia, sem direito a descanso aos domingos.

A Hoste produz entre 60 mil e 80 mil hóstias por dia. A receita é simples: leva trigo e água, mas a consistência é que faz a diferença. Não pode esfarelar. “Acredito que fomos escolhidos por indicação das paróquias do Rio, já que nossas hóstias têm muita qualidade”, garante.
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O único lamento de Silvana é não ter conseguido empréstimo para aumentar a produção. “Um financiamento cairia do céu. Temos que gastar antes para receber depois”, diz ela, que não sabe se conseguirá ver o Pontífice de perto, mesmo já tendo concluído 70% da produção encomendada pela Igreja.
“Gostaria muito de ir à Jornada, mas não sei se vai dar. As paróquias cariocas também aumentaram muito os pedidos com a vinda dos peregrinos”, revela Silvana.
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Produção no interior paulista
Católico fervoroso, o empresário João Tadeu Benatti, 62 anos, comanda a Fábrica de Hóstias São Francisco, em Mococa, interior paulista, de onde sairão mais 1,5 milhão de unidades que serão distribuídas nas missas da Jornada.
Antes do corte, massa em formato de disco lembra panqueca. Para cada quilo de trigo, 1,2 litro de águaJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

A fábrica saiu na frente e antecipou a entrega da encomenda. “Vamos levar tudo esta semana para o Rio. Se precisarem de mais hóstias, estamos prontos para atender”, garante.

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A cada mês, são compradas 20 toneladas de farinha de trigo, usadas na fabricação de 18 milhões de hóstias, que saem a R$ 17 o milheiro. A produção diária é de 800 mil unidades, suficientes para abastecer 2.200 igrejas brasileiras.
Antes do corte, a massa em formato de disco lembra uma panqueca. Para cada quilo de trigo, acrescenta-se 1,2 litro de água, mas o processo é guardado a sete chaves. “Não existem máquinas como a nossa. Graças a Deus”, diz.
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