Rio - O mau cheiro que se espalha pelas ruas adjacentes denuncia a proximidade com o lugar. O Piscinão de Ramos, criado como alternativa à praia imortalizada pelos versos do sambista Dicró, encontra-se, quase 12 anos após a sua inauguração, em estado de abandono.
A cada passo dado pelo complexo criado para reunir atividades culturais, esportivas e de lazer, nota-se o lixo que se espalha pelas areias e ruas, além do limo que prolifera pelo espelho d’água.
“Muitas pessoas vêm aqui só para se bronzear. São muitos os casos de doenças dermatológicas entre os que mergulham ou ficam em contato direto com a areia. Nos fins de semana, quando o movimento é maior, a água fica negra”, conta a balconista Sthefany Agda, sob o forte sol.
Para aqueles que procuram os banheiros públicos, mais uma desagradável surpresa: dejetos espalhados pelo chão inviabilizam a utilização. Em algumas das unidades, vândalos destruíram os vasos sanitários e as pias.
Com tantas adversidades, o local que já foi até cenário de novelas, já não tem a mesma frequência. “Até o ano de 2005, chegávamos a ganhar R$ 3 mil em meses de sol. Hoje, a população procura outras praias, onde encontra mais infraestrutura e água limpa. Atualmente, nosso lucro não ultrapassa R$ 1.200 por mês”, garante o comerciante André de Oliveira.
Apesar dos relatos e da sujeira aparente, a Rio Águas, responsável pelo controle de qualidade dos 30 milhões de litros d’água do Piscinão de Ramos, garante medir a qualidade mensalmente, e que o último teste registrou qualidade satisfatória.
A Comlurb, por sua vez, diz realizar a limpeza do local diariamente, com cinco garis. O contingente pode ser aumentado em dias de maior movimento.
Quadras largadas e lona destruída
O entorno do Piscinão, idealizado para que fosse um espaço dedicado a atividades esportivas, shows e oficinas, também se encontra degradado. As quadras esportivas, originalmente feitas em grama sintética, estão cheias de falhas, onde cresce o mato, o que atrapalha os jogos.
As balizas, por sua vez, estão sem redes. Problema que, segundo a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, responsável por administrar os campos será regularizado em breve.Para isto, um orçamento para o conserto das partes danificadas já foi solicitado.
A Lona Cultural, parceria com a iniciativa privada na década passada para abrigar shows, está abandonada há anos, por causa do tráfico. Hoje, resta apenas um esqueleto de ferro em meio a um terreno baldio, sem a cobertura feita do material que a batiza.