Filho de dono de jornal morto na Baixada tinha quatro passagens pela polícia

Com a vítima, ainda segundo a polícia, foi encontrada uma pistola calibre 380, municiada e numerada

Por O Dia

Rio - O empresário José Roberto Ornelas de Lemos, o Betinho, de 45 anos, diretor do Jornal Hora H, um dos principais da Baixada Fluminense, assassinado a tiros na noite desta terça-feira, em Nova Iguaçu, tinha pelo menos quatro passagens pela polícia, sendo duas por homicídio.

A informação é da 58ª DP (Posse), onde o crime foi registrado. Filho de José Lemos, dono do jornal, ele foi executado com 44 tiros. Com a vítima, ainda segundo a polícia, foi encontrada uma pistola calibre 380, municiada e numerada. Nenhum prójétil foi disparado. Ninguém da família foi encontrado para falar sobre o crime.

Local onde a vítima foi assassinadaOsvaldo Praddo / Agência O Dia

De acordo com levantamento da delegacia, Betinho já havia sido indiciado por dois homicídios, extorsão e formação de quadrilha. Os processos foram arquivados ou o acusado acabou absolvido. Num deles, em 2002, ele foi preso acusado de chefiar o grupo de extermínio que executou naquele ano Kenedi Jaime de Souza, de 52 anos, então subsecretário de Governo e presidente da Comissão de Licitações da Prefeitura de São João de Meriti, também na Baixada. José Roberto acabou solto porque a Justiça não achou evidências da participação dele no crime.

A morte de Betinho ocorreu por volta das 20h. Quatro homens armados e encapuzados fizeram vários disparos de dentro de um Gol prata em direção ao interior da Padaria do Rocha, na esquina da Avenida Fusção com a Rua Eduardo Pacheco Vilena, no bairro Corumbá, onde Betinho estava.

Segundo vizinhos, o diretor do Hora H era morador do bairro e costumava frequentar o local no fim do dia na companhia de amigos. Nenhuma cápsula disparada pelos assassinos foi encontrada na rua. Uma perícia foi feita no local.

Segundo testemunhas, mais de 50 tiros foram dados em direção ao empresário. De acordo com a polícia, 44 atingiram o corpo de Betinho. Amigos que estavam no local ainda o socorreram no Hospital da Posse, que fica há quatro quilômetros do local do crime. Os médicos ainda tentaram reanimá-lo, mas ele não resisitiu. Três funcionárias da padaria não se feriram. A Mitsubish blindada dele que estava no local também não foi atingida.

De acordo com o delegado Marcos Henrique de Oliveira Alves, nenhuma hipótese está descartada sobre ao crime. A polícia vai capturar e analisar as imagens de duas câmeras externas e seis do interior da padaria para ajudar nas investigaçõs.

"Além das imagens contamos com denúncias e depoimentos para chegar aos autores. Não há suspeitos ainda. Todas as hipóteses estão sendo consideradas. Mas podemos garantir que foi uma execução. Vieram para executar o diretor do jornal", garantiu o delegado da 58ª DP.

Segundo moradores do bairro Corumbá, onde Betinho morava, o diretor do Hora H era querido e muito conhecido na região. No entanto, ainda segundo vizinhos, ele era vítima de constantes ameaças, devido as denúnicas que publicava no jornal sobre corrupção e tráfico de drogas.

"Era uma pessoa maravilhosa, gente boa, digno. Todos gostavam dele. Estamos surpresos com toda essa violência contra ele. Estive com ele momentos antes do crime na padaria. Fui para casa e de lá ouvi os tiros" relatou um morador, que pediu anonimato.

O morador também enalteceu o trabalho do diretor do Hora H no diário da Baixada Fluminense. "Tinha um trabalho combativo na política local. Se tivesse que bater, batia. Se tivesse que elogiar, elogiava", concluiu.

O corpo de Betinho está no Instituto Médico Legal (IML) de Nova Iguaçu. Ainda não há informações sobre o local e o horário do sepultamento.

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