Jovens mortos em acidente com ônibus escolar em Silva Jardim são sepultados

Veículo que transportava os jovens se chocou contra um ônibus

Por O Dia

Clima de tristeza a revolta marca sepultamento de jovens em Silva JardimAlessandro Costa / Agência O Dia

Rio - Os corpos de Jeferson Batista da Silva, 15 anos, e Jonathan Quintanilha Venceslau, de 13, mortos em um acidente na RJ-140, em Silva Jardim, na Baixada Litorânea, foram sepultados na manhã desta quinta-feira. O ônibus escolar que transportava os jovens se chocou contra um ônibus. Os estudantes foram enterrados lado a lado no Cemitério Municipal de Silva Jardim.

A colisão deixou outras 17 crianças feridas. As vítimas foram levadas para a Policlínica Municipal de Silva Jardim. Dois feridos em estado grave foram encaminhados para o Hospital de Araruama, na Região dos Lagos.

Emocionados, familiares das vítimas não quiseram falar com a imprensa. Cerca de 150 pessoas acompanharam os sepultamentos.

Documento encontrado com motorista de ônibus escolar é de 2010

Documentos encontrados com o motorista do ônibus mostram que o último IPVA do veículo foi pago em 2010. A prefeitura da cidade nega e afirma que existe o documento de 2013 do veículo. De acordo com algumas crianças, quando chegaram na escola para pegar o ônibus, o motorista, identificado como Carlos André Nogueira, de 26 anos, dormia sobre o volante.

Tristeza e revolta marcam sepultamento em Silva JardimAlessandro Costa / Agência O Dia

Os estudantes eram transportados do Colégio Adail Maria Tinoco para o Ciep Vera Lúcia Silva Jardim. Vinte crianças estavam no veículo no momento do acidente. A mudança era por conta de obras no Adail Maria Tinoco. Dentro do veículo, haviam 16 crianças e quatro adultos, sendo o motorista, dois inspetores e uma professora.

O padastro de Jonathan, Genivaldo Lacerda Correia Figueiredo, estava abalado com a tragédia que tirou a vida do adolescente. Segundo ele, a família mora perto do colégio, mas por conta da reforma do local faziam o trajeto desta manhã desde o início do ano.

Jonathan tinha outro irmão, de 7 anos, e sua mãe sofre de problemas psicológicos, conforme relatou Genivaldo, que lamentava a todo momento a perda do jovem. "Ele era tudo pra mim. Me ajudava com tudo em casa. Um garoto ótimo, é o fim para mim, estou desesperado", disse.

Imprudências seriam frequentes

O adolescente Paulo Ricardo, de 15 anos, estudante do sétimo ano do ensino fundamental, disse que o motorista estava em alta velocidade no momento do acidente. Ele estava no fundo do ônibus, em cima da roda e do mesmo lado do motorista no momento do acidente. O jovem relatou que precisou passar por cima de crianças feridas após a batida do ônibus com o caminhão e sair pelo pára-brisas. Paulo teve ferimentos na sobrancelha, orelha e joelho.

De acordo com outros jovens, seria frequente o excesso de velocidade, superlotação e motoristas aparentando cansaço. Ainda segundo eles, o veículo possuía cintos de segurança, mas ninguém usada.

O motorista do ônibus foi encaminhado à 120ª DP (Silva Jardim), onde presta depoimento. O condutor do caminhão, identificado Leir da Silva Goulart, de 55 anos, ficou levemente ferido. O economista Leonan Costa, de 38 anos, que guiava um Siena atrás do caminhão e testemunhou o acidente também será ouvido na delegacia.

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