Começa a ‘limpeza’ em hospital da Baixada

Depois de denúncia do ‘DIA’, gerente do setor de Enfermagem foi exonerada por receber do estado, mas só aparecer nas escalas de papel nos quadros de serviço

Por O Dia

Rio - Hora da ‘limpeza’ no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias. A gerente do setor de Enfermagem Elaine Cristine da Conceição Vianna foi exonerada ontem do cargo após o escândalo dos funcionários que, apesar de receber do estado, só aparecem para trabalhar nas escalas de papel afixadas nos quadros de serviço.

Ex-PM, Elaine Vianna foi avisada para esvaziar as gavetas após uma reunião com parte dos servidores envolvidos no esquema de matar os plantões. Além de gerenciar o Adão Pereira Nunes de segunda à sexta-feira, das 7h às 18h, Elaine encontrava tempo para trabalhar, nos mesmos dias, no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá.

Envolvida na fraude, a enfermeira Xênia Rodrigues da Silva pediu exoneração. Contratada por uma empresa terceirizada que presta serviço à Secretaria Estadual de Saúde, ela era escalada para trabalhar oito vezes por mês, das 7h às 19h. Mas, nos últimos meses, seus horários coincidiam com a entrada ou saída do plantão no Hospital da Unimed, em Campos, a 300 quilômetros de Saracuruna.

Envolvida na fraude%2C Xênia Rodrigues da Silva pediu exoneraçãoPaulo Araújo / Agência O Dia

A análise das escalas de serviço de Xênia trouxe outra surpresa: em fevereiro, nos plantões no Adão Pereira Nunes, a enfermeira esteve em viagens a praias do Nordeste.

Outra escala conflitante é a de Bergite de Souza e Silva Filho. Além de acumular três vínculos, ele aparece na coordenação da Enfermagem apesar de uma das matrículas ser de técnico de enfermagem. Ao todo, ele acumula 72 horas de serviço, acima do teto de 60 horas estipuladas como limite pelo estado.

Secretaria age contra a farra

A Secretaria Estadual de Saúde abriu sindicância para apurar a farra dos plantões sem trabalho no Hospital Adão Pereira Nunes. Os enfermeiros podem ser demitidos se comprovado que faltavam ao serviço na emergência e tinham o ponto abonado pela direção. Os 15 funcionários, listados pelo DIA, receberam salário sem descontos nos últimos quatro meses.

Esta é a segunda investigação na unidade. A primeira foi em maio, após O DIA mostrar que os médicos com cargo de chefia faltavam aos plantões e ainda recebiam gratificações de até R$ 5 mil.

A secretaria começou o processo de licitação para a compra de novos equipamentos de ponto biométrico. A ideia é estender o controle a todos os funcionários do setor de saúde do Rio. Atualmente, apenas os médicos têm a frequência controla pela digital.

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