Hora Legal faz hoje 100 anos

Data será festejada no Observatório Nacional com visita guiada, filme e palestra, tudo grátis

Por O Dia

Rio - A Hora Legal Brasileira (HLB) completa hoje 100 anos de criação e reúne algumas histórias, no mínimo interessantes. Um século atrás, por exemplo, os relógios dos brasileiros eram acertados graças a astrônomos que observavam a passagem de alguns astros pelo Meridiano local e determinavam a hora certa. Se deixassem de fazer a anotação correta, tinham que parar e recomeçar no dia seguinte.

Hoje, nove relógios atômicos de alta precisão, instalados no Observatório Nacional, em São Cristóvão, na Zona Norte, desempenham a função e não adiantam nem atrasam mais que um segundo a cada 10 milhões de anos.

Para comemorar o centenário de criação da HLB, a Divisão Serviço da Hora promoverá a palestra ‘100 anos da Hora Legal Brasileira’ e, em seguida, exibirá o filme ‘A medida do tempo’. Também haverá visita guiada à área. Os eventos são gratuitos.

HORÁRIO DE BRASÍLIA

O Decreto nº 2.784, sancionado em 18 de junho de 1913, estabeleceu a HLB e os fusos horários no Brasil. Quem sabia, por exemplo, que o chamado ‘horário de Brasília’ é gerado no Rio de Janeiro? Ou que o governo da Argentina escolheu oficializar o horário de Brasília,embora o país de Maradona esteja na faixa do fuso de Mato Grosso do Sul?

“Como Brasília e Rio estão na mesma faixa de fuso horário, isso pode ser feito”, garante Ricardo José de Carvalho, chefe da Divisão Serviço da Hora. “Já no caso dos argentinos, a escolha foi baseada em motivos econômicos”, completa o engenheiro.

O Brasil integra um grupo de 15 países que calculam uma escala de tempo atômico no mundo todo, de forma independente. “Temos equipamentos para isso”, orgulha-se Carvalho.

Troca de fuso cria confusão em concurso

Nem mesmo a precisão dos relógios atômicos da Divisão Serviço da Hora pode evitar problemas. O chefe da divisão lembrou que uma cidade na divisa do Mato Grosso do Sul com São Paulo — estados com fuso diferenciado — resolveu adotar o horário paulista, de uma hora a mais.

A prefeitura daquele município abriu concurso público, que gerou grande confusão: alguns inscritos, moradores de outras cidades do estado, guiaram-se pelo horário praticado no Mato Grosso do Sul. Por causa disso, chegaram atrasados ao local da prova — uma hora depois do fechamento dos portões.

“Um candidato moveu ação para anular o concurso. Vieram me consultar a respeito e tive que dizer que o candidato tinha razão. O fuso deveria ter sido levado em consideração”, afirmou Carvalho.

Observatório foi fundado em 1827

O governo brasileiro fundou o Observatório Nacional em 1827, com o objetivo de fornecer a hora exata à Armada Imperial e facilitar suas andanças além-mar. Com as informações dos astrônomos, os cronômetros dos marinheiros podiam ser acertados.

Em 1913, verificou-se uma nova demanda: a questão dos fusos horários, que muitos países já haviam estabelecido. E foi criada a Hora Legal Brasileira, para reunir as duas pontas de uma mesma questão.

O relógio atômico foi adotado em 1967 pelo Bureau Internacional de Pesos e Medidas e, três anos depois, o Brasil comprou o seu primeiro equipamento.

Marcação através do sol

No princípio era o sol. A hora certa, que de certa não tinha nada, era calculada pelo nascente e poente do astro-rei. Depois vieram os astrônomos. Suas observações sobre corpos celestes é que determinavam a posição dos ponteiros dos relógios.

Com a eletrônica, os relógios a quartzo estabeleceram um novo padrão, até a evolução posterior: os atuais equipamentos atômicos, de césio e de hidrogênio, que há quase 50 anos fornecem a hora exata.

“Os padrões tornaram-se mais precisos, como referência de tempo, do que a rotação do nosso planeta”, analisou o chefe da Divisão Serviço da Hora, Ricardo José de Carvalho.

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