Internautas fazem 'vaquinha' para ajudar dono de carro incendiado em protesto

Operador de áudio teve o carro destruído durante manifestação no Centro do Rio

Por O Dia

Rio - Internautas fazem a famosa "vaquinha" na Internet para arrecadar fundos para recompensar o dono do veículo queimado por manifestantes ao lado do prédio da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), na noite desta segunda-feira, durante protesto que reuniu cerca de 100 mil pessoas.

Grupo fez fogueira no meio da ruaFernando Souza / Agência O Dia

O proprietário do veículo, o operador de áudio Fabrício Ferreira, usa o carro para se locomover entre seus dois empregos diários. O Ford Versailles ano 1993 não tinha seguro. No site Vakinha, a ação busca arrecadar R$ 20 mil. Já no site Arrekade, o objetivo é angariar R$ 10 mil. Os criadores do movimento se sensibilizaram com a depredação e decidiram ajudar o operador de áudio.

O operador de áudio, que começou no emprego há uma semana, trabalha também para a Rádio Tupi. Ele disse que acompanhou pela televisão o momento em que o seu carro foi incendiado pelos manifestantes. O veículo não tinha seguro.

"Infelizmente, tem um pessoal infiltrado nessas manifestações só para bagunçar. Eu sabia que iria ocorrer a manifestação, mas não imaginava que o meu carro seria destruído. Eu acho que o povo tem que se manifestar quando está insatisfeito com qualquer coisa. Temos que dar um basta nessa situação, mas sem violência", disse.

Morador da Baixada Fluminense, Fabrício não sabe como fará para retornar para casa, uma vez que o transporte para a região é escasso após a meia-noite, quando sai do segundo emprego. A renda da família é complementada pela sua mulher, que vende roupas e transportava as mercadorias no carro incendiado. Algumas peças que ainda não haviam sido pagas estavam na mala do automóvel e foram perdidas.

Batalhão de Choque dispersa manifestantes na Alerj

Policiais militares do Batalhão de Choque (BPChq) dispersaram os cerca de 200 manifestantes que ainda estavam em frente à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) na noite desta segunda-feira, onde mais de 100 mil pessoas protestaram contra o aumento da tarifa dos ônibus na cidade, percorrendo diversas ruas da cidade.

De forma truculenta, os policiais reprimiram o grupo minoritário que ainda estava no local. Os PMs chegaram atirando bombas de gás e de efeito moral, além de efetuarem disparos de balas de borracha. Houve corre-corre e confusão e os manifestantes fugiram por ruas do entorno. Na confusão, pelo menos sete pessoas foram atingidas por spray de pimenta, pedradas, balas de borracha e armas de fogo.

No final da noite, o Palácio Guanabara foi cercado por grades e o policiamento foi reforçado.

Além de agirem com violência para cima dos manifestantes, o Batalhão de Choque ainda advertiu parte da imprensa, ameaçando incitar cachorros contra repórteres.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, os feridos foram encaminhados para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Dos dois atingidos por armas de fogo, um foi alvejado na perna e outra pessoa no tórax. Ainda de acordo com o órgão, o estado de saúde deles é estável e os feridos estão foram de perigo.

Cerca de 50 pessoas correram para a estação das Barcas da Praça XV e tentaram pular as catracas, mas foram impedidas por seguranças da concessionária. Muitos carros do BPChq percorreram as ruas do Centro.

Na Alerj, homens e diversas fileiras de carro permaneceram em fila na entrada do prédio. Antônio Carlos da Costa, presidente da ONG Rio de Paz, viu o filho, Mateus Mendes da Costa, 20 anos, ser preso pelo Batalhão.

"Isto não é democracia, não precisamos de quebra-quebra. Não podemos construir com uma mão e quebrar com a outra. Meu filho participou de forma pacífica. Deixamos o Menezes Cortes para acompanhar o desfecho, quando ele foi preso. Ele não depredou nada e 99% dos manifestantes não queriam esse cenário de guerra e de terra arrasada. É uma sacanagem", disse Costa.

O cenário ao redor se tornou irreconhecível. Muito lixo ficou espalhado pelas ruas, placas quebradas, focos de incêndio, pichações, vidros de estabelecimentos e agências bancárias quebradas, carros depredados ou virados se tornaram parte de uma triste paisagem, tomada de alegria e esperança poucas horas antes.

A Avenida Rio Branco e a Avenida Presidente Vargas, que ainda estavam parcialmente interditadas, foram liberadas no fim da noite desta segunda-feira.

Pequeno grupo promoveu correria e quebra-quebra

Mais cedo, policiais militares foram acuados pelo grupo. Os PMs chegaram ao local pelas ruas laterais e, rapidamente, os presentes os cercaram e, gritando as palavras "resistir!", obrigou a recuada dos PMs. Um coquetel molotov foi arremessado no segundo andar da Assembleia e o incêndio causado foi controlado rapidamente.

Os manifestantes desistiram de entrar no local, mas pediram que os policiais que estivessem lá dentro saíssem. "Sem violência, deixem os policiais saírem em paz", bradaram. Bombeiros chegaram aplaudidos pelos presentes, socorrendo feridos próximos, mas não entraram no local porque a segurança das pessoas encurraladas no prédio não era garantida.

Parte dos manifestantes ficou temerosa com presença de agentes do serviço reservado (P2) no local e, temendo novo tumulto, desistiram de invadir a Casa. Um fotógrafo do DIA foi ferido na cabeça por uma luminária que se desprendeu do poste depois de ser atingida por uma pedra.

Entre os feridos, Cléverson Oliveira, 21 anos, foi atingido no braço direito e socorrido por estudantes de medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF) que o levaram para o Hospital Municipal Souza Aguiar, também no Centro, aos gritos de "guerreiro!". Ainda não se sabe se o ferimento foi provocado por armas de fogo ou corte.

Últimas de Rio De Janeiro