Manifestantes fazem vaquinha e conseguem liberar morador de rua detido

Homem foi levado durante protesto contra o aumento das passagens no Rio e vai responder por formação de quadrilha

Por bianca.lobianco

Rio - Um morador de rua detido durante o confronto entre policiais e manifestantes em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na segunda-feira, foi liberado após o pagamento da fiança de R$ 700. Os advogados que se voluntariaram a defender os detidos organizaram uma "vaquinha" e até pediram dinheiro a pessoas que passavam na rua para completar o valor.

"Eu estava saindo de onde eu moro, na Praça XV, e vi a polícia botando o pessoal para correr, e eu me assustei também. Quando eles me viram correndo, deram um tiro, eu me abaixei. Aí eles me algemaram e me trouxeram para cá", disse Nilton dos Santos, 23 anos, que vai responder por formação de quadrilha.

O delegado adjunto da 5ª Delegacia de Polícia, Antonio Ferreira Bonfim Filho, disse que os presos foram flagrados cometendo crimes. Ainda segundo ele, apesar de responderem pelo que foram autuados, a investigação pode desqualificar as acusações em um segundo momento.

Para o advogado Rodrigo Montego, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), as prisões foram feitas de forma arbitrária. "Ele [Nilton dos Santos] mostra isso, um morador de rua que não conhece ninguém e não tem relação com nenhum dos universitários que foram presos". Ainda segundo Montego, nenhum dos universitários se conhecia. Após o confronto, eles foram detidos em pontos diferentes da cidade, inclusive em pontos de ônibus e fazendo registros dos danos.

Por meio de nota atualizada na manhã de hoje, a PM do Rio se limitou a informar que cinco policiais foram feridos nos ataques à Assembleia Legislativa.

A passeata realizada, na tarde de segunda-feira, no Rio reuniu mais de 100 mil manifestantes, segundo a PM, que atravessaram, de forma pacífica, a Avenida Rio Branco, da Candelária à Cinelândia. Parte deles se dirigiu à Alerj e um grupo de menos de 100 pessoas queimou carros, causou danos a estabelecimentos comerciais vizinhos e pichou o Paço Imperial. O prédio da Assembleia Legislativa foi o mais depredado.

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