Por cadu.bruno

Rio - O confronto entre policiais e um grupo de manifestantes, no fim da noite desta quinta-feira, chegou até a Lapa, na região dentral da cidade. Muitas pessoas procuraram abrigo no Circo Voador, onde alegam ter sido atacados pela PM. Um funcionário da casa foi atingido por uma bala de borracha.

Policiais durante ação na LapaReprodução Internet

"Choque na Lapa. Nunca assistimos isso. Bombas de gás foram jogadas na praça e no teto do bar do Circo. Nossa enfermaria nunca esteve tão cheia. Lencinho, autor da foto, foi alvejado no queixo com bala de borracha ao fazer a cobertura dos fatos na praça. Ação lamentável", escreveu o Circo Voador, através de seu perfil no Facebook.

Sylvia Sussekind estava no Circo Voador e contou na rede social o que aconteceu no local. "Jogaram bomba dentro do Circo Voador e uma delas veio no meu pé. Ajudem e me falem como está aí fora, porque não podemos sair daqui. Eu e vários aqui dentro fomos feridos com gás lacrimogêneo e não temos o direito de ir pra casa", escreveu.

"Cheguei a golfar com a bomba que tacaram agora há pouco... Tacaram outra! Voltamos à ditadura! Estamos em meio a uma guerra civil, sou uma pessoa abençoada porque nesse momento estou alojada com amigos e isso ninguem me tira! Não há nenhum baderneiro dentro do Circo".

A manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus e outras reivindicações sociais contou com a participação de mais de 300 mil pessoas. O protesto começou de maneira pacífica, na Candelária, mas terminou em violência e vandalismo. Até o início da madrugada desta sexta-feira, 62 pessoas haviam sido atendidas no Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro, feridas durante o tumulto.

Cinco pessoas foram presas pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) acusada de saquear uma loja de calçados na Presidente Vargas. Outras 10 pessoas foram detidas, mas liberadas em seguida.

Confusão em hospital

No Souza Aguiar, houve discussão entre uma advogada voluntária da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e os PMs. Segundo ela, eles atiraram uma bomba de gás em pessoas que estavam na frente da 5ª DP (Mem de Sá). Um homem que estava com pedras e bombas na mochila foi detido e os policiais impediram não queriam que ele fosse atendido.

"A situação está descontrolada. É difícil identificar se há grupos individuais no protesto e quais são eles. É preciso também investigarmos o tratamento e indiciamento que os presos recebem", disse a advogada Priscila Pedrosa.

Logo após a declaração, houve empurra-empurra entre os PMs e a advogada, mas o rapaz acabou sendo atendido. Wellington Santana, 55 anos, é sindicalista e foi agredido com pauladas e chutes por manifestantes mascarados e com lenço no rosto. Pulso fraturado. "Dez me agrediram com socos chutes e paulistas. São pessoas infiltradas. Pra causar baderna".

Você pode gostar