Por tamyres.matos

Rio - Um grupo de manifestantes foi cercado por policiais militares na Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na noite desta quinta-feira. Por ser uma instituição federal, o local não pode ser invadido pelos PMs.

De acordo com o grupo, muitas bombas são lançadas em direção às pessoas e a energia elétrica do local teria sido cortada. Cerca de 400 estudantes estão no IFCS e não há informações sobre o número de manifestantes que se refugiaram no local.

Qualquer pessoa que sai do local estaria sendo ameaçada de prisão, indiscriminadamente. "Becos estão tomados, estações de metrô fechadas, vias principais cercadas, e ainda ouvimos daqui os estouros. Colegas estão feridos, soubemos de uma estudante que foi espancada e muitos foram alvo de agressões físicas", relatou um estudante do local.

Leia, na íntegra, a nota do reitor da UFRJ sobre o caso:

A Reitoria da UFRJ está acompanhando a situação das cerca de 300 pessoas neste momento abrigadas no prédio da Faculdade Nacional de Direito (Centro do Rio) e aproximadamente 400 outras no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (Largo de São Francisco), em sua grande maioria estudantes, que participaram nesta noite das manifestações políticas na cidade. São, além de estudantes da UFRJ, alunos de outras instituições, como UFF, Uerj e Cefet.

Nós, da UFRJ, estamos confiantes na preservação da integridade e autonomia dos espaços universitários, bem como na integridade física de todos os que ali se encontram. A UFRJ vai continuar acompanhando a participação de seus estudantes nas manifestações legítimas, preocupada sempre com sua segurança, que deve ser garantida em nosso país, em sua democracia duramente conquistada.

Carlos Levi
Reitor da UFRJ

Megaprotesto termina em caos

Um grupo de manifestantes mascarados foi para a Lapa, na região central do Rio, e PMs promoveram uma perseguição na noite desta quinta-feira. Bombas foram lançadas em direção ao grupo. Nas redes sociais, especula-se que 1 milhão de pessoas participaram do megaprotesto. A mobilização, pacífica a princípio, culminou em violência.

O número de feridos durante os confrontos subiu para 44, entre eles um PM e quatro guardas municipais. A informação é da Secretaria Municipal de Saúde. Todas as vítimas estão sendo encaminhadas para o Hospital Municipal Souza Aguiar.

Houve confronto entre manifestantes mais exaltados e a polícia em diversos pontos do CentroJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Policiais atiraram bombas de efeito moral em direção a bares e restaurantes da região, onde manifestantes tentavam se proteger. O clima ainda é tenso em alguns pontos. Nas ruas e avenidas do Centro do Rio há um rastro de destruição em agências bancárias, lojas e pontos de ônibus, todos destruídos, além de lixo no caminho e focos de incêndio.

O Batalhão de Choque atirou a esmo balas de borracha e bombas de gás. No Souza Aguiar, houve discussão entre uma advogada voluntária da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e os PMs. Segundo ela, eles atiraram uma bomba de gás em pessoas que estavam na frente da 5ª DP (Mem de Sá). Um homem que estava com pedras e bombas na mochila foi detido e os policiais impediram não queriam que ele fosse atendido.

"A situação está descontrolada. É difícil identificar se há grupos individuais no protesto e quais são eles. É preciso também investigarmos o tratamento e indiciamento que os presos recebem", disse a advogada Priscila Pedrosa.

Logo após a declaração, houve empurra-empurra entre os PMs e a advogada, mas o rapaz acabou sendo atendido. Wellington Santana, 55 anos, é sindicalista e foi agredido com pauladas e chutes por manifestantes mascarados e com lenço no rosto. Pulso fraturado. "Dez me agrediram com socos chutes e paulistas. São pessoas infiltradas. Pra causar baderna".

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