Por bianca.lobianco

Rio - O chefe do Estado-Maior da Polícia Militar, Coronel Pinheiro Neto, pediu, durante entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira, que os manifestantes não saiam mascarados para os protestos. A chefe da Casa Civil, Martha Rocha, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame e o comandante da Polícia Militar, coronel Erir Ribeiro, também falaram sobre os atos de vandalismo que deixou o Centro do Rio destruído na noite de quinta-feira.

Pinheiro Neto também acrescentou que os policiais não jogaram bombas de gás lacrimogêneo no Hospital Souza Aguiar. Segundo o coronel, o que ocorreu foi a dissipação do gás da cidade, devido a quantidade de bombas de efeito moral que precisou ser lançada para conter os atos de vandalismo nas ruas do Centro.

Em relação ao que ocorreu nos bares da Lapa, a resposta da polícia aos manifestantes se fez necessária, de acordo com o chefe do Estado-Maior. Segundo ele, um grupo de vândalos que se dispersou da manifestação e continuou os atos de desordem. Ele também esclareceu que a polícia não tirou o direito das pessoas de ir e vir do Intituto Federal de Ciências Sociais (IFCS), nem na Faculdade Nacional de Direito (FND). "As pessoas preferiram se abrigar nessas instituições por conta do que estava acontecendo nas ruas", explicou. 

'Não adianta demonizar a polícia', diz Beltrame

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame reconheceu que as forças de segurança não conseguiram controlar a ação dos vândalos. "Ontem fizemos uma ação muito complexa e as consequências não são boas para os dois lados, nem polícia nem manifestantes. É importante dizer que de nada adianta demonizar a polícia, talvez seja benéfico para vândalos" disse o secretário. Ele também citou que se o caos na cidade tivesse sido causado por uma minoria, o Centro não amanheceria tão depredado, como foi visto nesta sexta-feira. 

A chefe da Casa Civil, Martha Rocha, afirmou que as imagens gravadas de todos os locais onde ocorreram as depredações, esta semana, estão sendo analisadas para identificar aqueles que cometeram os atos de vandalismo. Segundo ela, a inteligência da Polícia Civil já identificou duas pessoas, uma delas é um homem de Itaboraí, Região Metropolitana do Rio, identificado como Arthur dos Anjos Nunes, que já tem passagem pela polícia. Ele estava na  escadaria da Assembleia Legislativa do Estado de Rio de Janeiro (Alerj), na última segunda-feira. A chefe da Casa Civil informou que um mandado de prisão contra ele já foi expedido.

Ela também informou que oito pessoas foram detidas na noite de sexta-feira, sendo cinco maiores e três menores. Todos os maiores foram presos em flagrantes por furto qualificados, pois estavam passeando em estabelecimentos comerciais.


Paes critica vandalismo

O prefeito Eduardo Paes concedeu entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira no Centro de Operações, na Cidade Nova, e condenou os atos de vandalismo ocorridos durante o protesto que reuniu mais de 300 mil pessoas nesta quinta à noite, na região central da cidade.

"A cidade não precisa ser apedrejada, não há necessidade de destruir patrimônios para reforçar sua opinião. É preciso que se tenha limite. Não se pode admitir que atos de vandalismo venham a protagonizar manifestações num país democrático como o Brasil", afirmou.

De acordo com o prefeito, durante o protesto foram quebrados 62 abrigos de ônibus, 31 placas de trânsito, cinco relógios, 98 semáforos, 46 placas de identificação de ruas e 340 lixeiras. Prédios públicos municipais também foram depredados. Segundo a prefeitura, os itens devem ser recolocados em até 45 dias.

"Infelizmente atitudes de vandalismo acabam marcando de maneira negativa um movimento democrático", ressaltou. Paes ainda afirmou que 62 feridos foram atendidos no Hospital Souza Aguiar, no Centro, sendo oito guardas municipais.


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