Por bianca.lobianco

Rio - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Raymundo Damasceno de Assis espera que o estado do Rio de Janeiro dê garantias de segurança aos jovens que participarão da Jornada Mundial da Juventude, em julho, no Rio. De qualquer forma, ele não acredita que as manifestações ocorridas no decorrer da semana, em várias cidades, tragam prejuízos ao evento.

Em entrevista, nesta sexta-feira, na CNBB, o cardeal ressaltou que não há previsão de mudanças na programação da jornada. “Desejamos que a jornada transcorra de maneira calma, acolhendo os jovens que virão de todas as partes. [Esperamos] que eles possam passar esse dias participando de toda a programação sem nenhum transtorno”, acrescentou.

Além das garantias de segurança ao evento, Dom Raymundo Damasceno espera que o encontro aconteça de forma tranquila, em todos os sentidos, "com bons serviços e garantia de assistência à saúde”.

O presidente da CNBB destacou que os preparativos para a Jornada Mundial da Juventude avançam em ritmo acelerado e em clima de traquilidade. Questionado se as notícias sobre a violência ocorrida nas manifestações poderiam prejudicar a vinda de jovens de outros países ao Brasil, Dom Raymundo Damasceno disse que espera um número menor de participantes europeus, mais motivado pela crise financeira no continente e não pelas manifestações.

Na tarde de sexta, Dom Raymundo Damasceno, se reunirá com a presidenta Dilma Rousseff e, entre os assuntos a serem tratados, está a organização da Jornada Mundial da Juventude, que ocorre entre 23 e 28 de julho.

Bispos apoiam as manifestações no país

Os bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apoiam as manifestações que vem ocorrendo em todo o país. Em nota, eles declararam solidariedade aos protestos, desde que pacíficos, das ruas.

"Trata-se de um fenômeno que envolve o povo brasileiro e o desperta para uma nova consciência. Requerem atenção e discernimento a fim de que se identifiquem seus valores e limites, sempre em vista à construção da sociedade justa e fraterna que almejamos" declaram.

Eles afirma que as manifestações ocorrem porque a população já não aguenta mais tanta corrupção, impunidade e falta de transparência na gestão pública e criticam os atos de vandalismo registrados nos último protestos. 

"O direito democrático a manifestações como estas deve ser sempre garantido pelo estado. De todos espera-se o respeito à paz e à ordem. Nada justifica a violência, a destruição do patrimônio público e privado, o desrespeito e a agressão a pessoas e instituições, o cerceamento à liberdade de ir e vir, de pensar e agir diferente, que devem ser repudiados com veemência. Quando isso ocorre, negam-se os valores inerentes às manifestações, instalando-se uma incoerência corrosiva que leva ao descrédito."

Os bispos acrescentam que essas manifestações fortalecem a participação da população no destino do país e pede que o clamor do povo seja ouvido. 



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