Informe do Dia: 'A diversidade marcou as manifestações de rua'

'Era possível encontrar desde movimentos sociais até gente que representava ideais conservadores', aponta professor

Por tamyres.matos

Rio - A diversidade entre participantes das manifestações das últimas semanas chamou a atenção de Pedro Rocha de Oliveira, professor do Departamento de Filosofia e Ciências Sociais da Unirio. Ele é um dos organizadores do livro ‘Até o último homem — Visões cariocas da administração armada da vida social’, que aborda temas como a implantação das UPPs e a preparação de eventos como Copa e Olimpíadas.

Professor do Departamento de Filosofia e Ciências Sociais da Unirio destaca a diversidade do movimentoAlessandro Costa / Agência O Dia

— O que mais chamou sua atenção nas ruas ?

— Havia muita heterogeneidade entre os participantes. Numa mesma manifestação era possível encontrar desde movimentos sociais e sindicatos até gente que representava ideais conservadores e mesmo fascistas. No meio disso tudo, existia um público de classe média que não tem idade para ter experimentado, antes, algo parecido ao que ocorreu.

— O Sr. ficou surpreso com a violência policial registrada em alguns momentos?

— Fiquei impressionado. Principalmente ao ver que, desta vez, a violência também foi direcionada a manifestantes de classe média, que não estão acostumados a passar por esse tipo de situação. É uma agressão que os pobres, sobretudo os moradores de locais carentes, costumam receber. Como qualquer outro trabalhador assalariado, o PM nem sempre sente gosto pelo que faz e alguns acabam até mesmo questionando as ordens, é um profissional que vive em tensão. A impossibilidade de se organizar em sindicatos contribui para piorar as coisas.

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