Os filhos não fogem à luta: protestam desde criancinha

Cerca de 300 pessoas fizeram manifestação à moda infantil no Aterro. Ato foi reproduzido com brasileirinhos em vários estados

Por O Dia

Rio - No lugar de brinquedos, cartazes, canetinhas e muita tinta guache. Um misto de recreação e manifestação. Foi assim que as crianças protestaram contra a corrupção, ao lado de seus pais, na manhã deste domingo, no Aterro do Flamengo. Os cartazes, confeccionados na hora pelos pequenos, pediam investimentos em Educação e Saúde e alertavam que eles são o futuro do país.

De acordo com a educadora ambiental Marina Reina, uma das organizadoras do movimento Ato Brincante no Rio (crianças também foram às ruas em Niterói, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, João Pessoa, Goiânia e Fortaleza), cerca de 300 pessoas participaram da atividade.

Ato Brincante no Rio incluiu confecção de cartazes com alerta%3A ‘somos o futuro do país’Carlo Wrede / Agência O Dia

Ela levou seu filho, Antônio, de 3 anos, para protestar. “Somos mães com o mesmo desejo: um país mais justo para nossos filhos, sem desvio de dinheiro, com mais investimento em Educação, Saúde e Segurança. Aos 3 anos, meu filho entende que seus pedidos são atendidos por mim. No futuro, quero que ele não desista de falar e se sinta ouvido pelos governantes”, disse.

O produtor Flávio Goulart levou seus filhos Rocco, de 10 anos, e Enzo de 3, para o protesto. É uma maneira deles participarem, entenderem o porquê disso tudo. As crianças escutam os adultos reclamarem e não veem ninguém fazer nada para mudar”, explicou Flávio, enquanto ajudava os garotos a pintar cartazes de repúdio à corrupção.

Thaís Carneiro explicou que seu filho, Bernardo, de 3 anos, apesar de não entender bem o que está acontecendo, vai poder dizer no futuro que ajudou a mudar o país. “Só queremos o melhor para nossos filhos. Educação de qualidade e Saúde Pública são prioridade. Estamos aqui lutando por eles. E assim eles participam”, disse.

“É um ato de conscientização. Como são muito questionadores, os pequenos perguntam o que está ocorrendo nas ruas ultimamente. Já que não podemos levá-los às grandes manifestações devido à violência que tem acontecido, eles estão visualizando a realidade do país por aqui”, continuou a empresária Renata Bonfatti. Ela também levou ao protesto os sobrinhos Eduardo, de 6 anos, Luan, de 7, Pedro, 8, e Rian, 10.

Protesto 'infantil' no Aterro do FlamengoCarlo Wrede / Agência O Dia

A manifestação virou uma grande confraternização de domingo com integração entre pais e filhos e as crianças, que curtiram teatro de fantoche e muitas outras brincadeiras que aconteceram.

Pequenos se manifestam em várias cidades do país

Mesmo sem entender direito as razões que levaram milhares de pessoas a protestar em todo o país, crianças saíram às ruas ontem engrossando o coro dos adultos por um Brasil melhor. Por meio das redes sociais, pais e mães organizaram movimentos infantis em várias cidades. Na manhã deste domingo, munidos de cartazes com pedidos por Educação e Saúde de qualidade, mais de 200 crianças com seus pais foram para a frente do Congresso, em Brasília.

No gramado, eles cantaram o Hino Nacional e pintaram uma grande bandeira do Brasil. Em outras cidades como São Paulo, Juiz de Fora (MG) e Florianópolis (SC) o manifesto tomou forma, convocado pelas redes sociais. Em Porto Alegre, houve a Marcha das Crianças. Lá, chamou a atenção cartaz que dizia: “A minha fralda é mais limpa que o Congresso Nacional”.

Em Niterói (RJ), cerca de 80 pequenos fizeram passeata no calçadão da Praia de Icaraí. O domingo foi diferente em Fortaleza. A garotada participou do ‘Criança no Parque’, pintando cartazes e ganhando consciência política. Em João Pessoa (PB), crianças marcaram presença entre os 22 mil manifestantes na quinta-feira. Novos atos estão previstos para acontecer. Cerca de 20 manifestações foram marcadas até domingo.

Idoso quer entrar na internet em busca de informações

Os cabelos brancos e os 69 anos de vida não impediram Carlos Eudes de sair às ruas por mudanças. “Independente do que vá acontecer, a única certeza que a juventude me trouxe é que o Brasil já mudou”, comemora. Os planos para o futuro voltam a fervilhar.

“Amanhã vou procurar curso de informática. Vejo notícias na TV e no jornal, mas quero dominar os recursos da internet, a nova fonte de informações”, projeta o manifestante. Muitos idosos foram ás ruas ontem em Copa.

Hércules Guaracy, 83 anos, olha para frente com esperança. “É um encontro de gerações que abre as portas de um futuro melhor”, comenta.

“Me disseram que protestar não era coisa da minha época. Um rapaz me disse: A senhora está viva, então é da sua época”. Esse é o depoimento de Regina Vignon, 83 anos. Para ela, foi o incentivo que faltava para cruzar Copacabana até a casa do governador Sérgio Cabral em sua cadeira de rodas, empurrada por sua cuidadora. “Na época da ditadura tive medo, mas vi que com medo não dá para mudar”, completa Regina, enrolada em uma bandeira do Brasil.

NOVOS RUMOS

Após atos violentos de vândalos no Centro do Rio, em Niterói e na Baixada, estudantes decidiram sexta-feira, em plenária no Instituto de Filosofia da UFRJ, cancelar protestos pelo menos no Centro do Rio até amanhã.

No fim da tarde haverá plenária para decidir novos rumos. Mas no Facebook já está sendo marcado ato para hoje às 17h, na Candelária. Amanhã será em Niterói, às 17h. Em Duque de Caxias, cerca de 600 pessoas planejam fechar a Rodovia Washington Luiz,quarta-feira.

O Disque-Denúncia disponibilizou o e-mail denuncievandalos@disquedenuncia.org.br para receber fotos e vídeos de vandalismo em atos no Rio. O anonimato é garantido. Quem preferir pode passar informações pelo tel. 2253-1177.

Últimas de Rio De Janeiro