Por tamyres.matos

Rio - A Polícia Militar instaurou um inquérito para averiguar a conduta dos homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) na operação realizada entre segunda e terça-feira na comunidade Nova Holanda, no Complexo da Maré. Segundo a PM, a duração da investigação é de 30 dias e pode ser prorrogada por mais um mês.

Nesta quarta-feira, houve uma reunião entre os representantes da Maré e o chefe do Comando de Operações Especiais (COE), coronel Hugo Freire, para discutir a atuação do Bope na operação. Equipes da Corregedoria Interna da PM também participaram da reunião e receberam denúncias de moradores.

No Bom Dia Rio, a Polícia Civil admitiu que três moradores da comunidade, sem antecedentes criminais, estão entre os nove mortos na operação do Bope. A princípio, a informação era de que entre os mortos teriam dois inocentes.

Manifestação de moradores da comunidade da Maré em frente à Secretária de SegurançaCarlos Moraes / Agência O Dia

População quer pedido de desculpas

Os moradores do Complexo da Maré ainda esperam por um pedido oficial de desculpas por parte do poder público. O diretor da ONG Observatório de Favelas, professor Jaílson Silva, qualificou nesta quarta-feira a operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) como um "ato de vingança das forças policiais contra a população". A ação do Bope resultou na morte de nove pessoas: um policial do Bope, três moradores e cinco suspeitos.

O professor critica ainda a demora nos reparos da Light depois que os policiais teriam atirado em transformadores de energia elétrica da região. "Não tivemos pedido de desculpas da Light pela falta de responsabilidade em relação aos moradores da Maré, que ficarão sem energia durante mais de 36 horas por uma ação dos policiais", afirma.

Ainda segundo Silva, a comunidade vai realizar um ato ecumênico na porta do Observatório de Favelas na próxima terça-feira, às 15h. Além disso, ocorrerá uma passeata com moradores na região da Avenida Brasil.

"Na Maré, altura da passarela 9, faremos um ato em memória a essas vítimas desse novo massacre. E faremos o maior ato já realizado em uma favela carioca pelo fim dessas ações de terror do Estado contra a população das favelas. Massacres, nunca mais!", reitera.

As reivindicações da Maré são semelhantes àquelas dos manifestantes da Rocinha que foram até a casa do governador Sérgio Cabral nesta terça-feira.

"Vamos exigir o fim das incursões desse tipo nas favelas, acabando com o uso de Caveirões e fuzis; vamos exigir a desmilitarização das polícias, vamos exigir a responsabilização judicial e política do Secretário de segurança, do Governador e dos comandos militares por novas mortes; vamos exigir que o uso do dinheiro público gasto na favela seja definido pelos seus moradores - pois é um absurdo gastar-se dois bilhões e meio no Alemão e na Rocinha, por exemplo, e não resolver-se o problema do saneamento", diz o texto postado pelo diretor da ONG no Facebook.

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