Manifestantes se concentram novamente na Tijuca em direção ao Maracanã

Mais de cinco mil pessoas começaram a marchar em via da Zona Norte

Por O Dia

Rio - Cerca de 10 mil pessoas, segundo a organização da passeata, seguem pela Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, Zona Norte do Rio, para a manifestação do Fórum de Luta contra o Aumento das Passagens, que reinvidica melhores condições de transporte público, a libertação dos presos durante as manifestações e fim da Polícia Militar, entre outras demandas.

A passeata saiu da Praça Saens Peña em direção ao Maracanã, onde a PM reforçou a segurança com mais de 6 mil homens. Por volta das 17h30, os manifestantes ocupavam quase cinco quarteirões do bairro.

Um grupo de jornalistas da TV Globo foi cercado e expulso da manifestação. Apesar do incidente, o clima é de tranquilidade no local até o momento. 

Além dos policiais militares e homens da Força Nacional de Segurança que já participaram do esquema nos dois jogos anteriores no estádio, militares do Exército estão a postos dentro do Maracanã. Homens do Batalhão da Guarda do Exército estão posicionados na Escola Municipal Friedenreich, que integra o complexo esportivo do Maracanã.

A Rua Conde de Bonfim está interditada em ambos os sentidos. O desvio para os motoristas que vêm do Alto da Boa Vista é feito pela Rua Uruguai. Quem vem do Centro no sentido Usina, deve acessar a Rua Santo Afonso. 

Mais de 5 mil marcharam em direção ao MaracanãMarcos Cruz / Agência O Dia

Manifestação de manhã terminou pacífica

Terminou de forma pacífica a manifestação que seguiu da Tijuca até o Maracanã, na tarde domingo. Mais de cinco mil pessoas participaram do ato, que tinha como objetivo de seguir até a estátua do Bellini, em frente ao estádio.

Os ativistas colocaram uma faixa com os dizeres Unfair Players (Jogadores Injustos) com o nome da Fifa, do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes. Por dois minutos, os presentes gritaram palavras de ordem na Praça Afonso Pena, ato que marcou o fim da passeata.

Faixa colocada em prédio simbolizou fim da manifestaçãoAlessandro Lo-Bianco / Agência O Dia

Um dos organizadores, o estudante de direito Bruno Amaral, 32 anos, informou que outro ato está marcado para às 15h desta terça-feira na passarela 9 da Avenida Brasil, contra a ação policial na Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, que deixou 10 mortos.

A partir das 15h, o Fórum de Luta contra o Aumento das Passagens começa a se concentrar no local, em nova caminhada até o Maracanã.

Cordão de isolamento do Choque

O estudante de engenharia da Uerj, Thiago Raposo, endossou a passeata. "Esse protesto tem a finalidade de chegar no Bellini e mostrar que os cidadãos da cidade devem poder ir e vir nas vias pública, com ou sem eventos. Nossa manifestação será pacífica, mas não nos responsabilizamos se os PMs agirem com truculência", disse.

Os manifestantes pararam em frente ao cordão de isolamento na Avenida Maracanã. O tenente Balbino, do Batalhão de Choque (BPChq) disse que não ia deixar os ativistas passarem.

"Vamos deixá-los por aqui, desde que não passem. Conversei com uma das lideranças do movimento e oriente que, em caso de confusão, todos se sentem para que possamos identificar as pessoas que estão aqui para causar tumulto. Caso não se sentem, consideraremos um ato hostil", afirmou o PM.

Laura fez questão que filhos%2C um de 1 anos e sete meses e outro de sete%2C participassem de protesto. Eles seguiram na linha de frente da marchaAlessandro Lo-Bianco / Agência O Dia

Os ativistas se sentaram na via e gritaram palavras de ordem contra a Fifa. Alguns oficiais fardados abordaram alguns presentes e pediram que eles votassem em favor da PEC 300, que iguala os salários de todos os militares do Brasil. A ação foi rapidamente coibida pelos próprios manifestantes.

A dona de casa Laura Lurdes Matos Ribeiro, 32 anos, levou os filhos, um bebê de 1 ano e sete meses e outro de 7 anos ao local e eles seguiram na linha de frente do protesto.

"Essa é uma nova geração. A atual ja esta mostrando um pequeno resultado. É na mão das proximas gerações de que fato o Brasil mudará. Resolvi trazê-los para a rua porque escutei na TV um professor que falou que a educação não vem só de casa, mas também das ruas. Mesmo que aconteça algum imprevisto, quero que desde cedo meus filhos saibam o que está acontecendo", disse.

O mais velho se mostrou animado. "É a primeira vez que participo e já aprendi que precisamos de mais saúde e educação. Gostaria que mais crianças participassem das próximas manifestações", comentou Pedro. O protesto voltou, neste momento, em direção à Rua São Francisco Xavier, na Tijuca.

Veja as ruas que ficarão interditadas no entorno do MaracanãArte%3A O Dia

Reunião da PM com entidades

O Comandante-Geral da PM, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, reuniu-se na manhã desse domingo com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Defensoria Pública do estado, no QG da corporação. A pauta da reunião foi a participação das entidades nas manifestações deste domingo atuando como observadores da atuação da Polícia Militar.

Estiveram presentes à reunião representando a OAB: Wadih Damous, conselheiro federal; Marcelo Chalreo, presidente e Aderson Bussinger, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos. Pela Defensoria Pública, estiveram presentes os seguintes membros do Núcleo de Direitos Humanos: Henrique Guelber, Juliana Moreira e Marcelo Pedrosa.

Além de sugerir que as entidades presenciem no local as negociações com os manifestantes, a Polícia Militar autorizou que os representantes das entidades acompanhem também a ação da PM a partir do centro de imagens do carro-comando do Batalhão de Choque, que ficará estacionado nas proximidades do Maracanã.

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