Por tamyres.matos
Publicado 03/07/2013 03:06 | Atualizado 03/07/2013 11:16

Rio - Cinco retroescavadeiras e dois tratores da concessionária responsável pela construção do Parque Olímpico e Paraolímpico para os Jogos de 2016 invadiram parte do terreno do Clube Esportivo de Voo (CEU) de Jacarepaguá, na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, ao lado do antigo autódromo, na Zona Oeste, na noite desta terça-feira. A acusação é de sócios da entidade. A Prefeitura e a empresa ainda não se manifestaram sobre o incidente.

Segundo o diretor administrativo financeiro do clube, Jairo Gomes Pereira, o maquinário destruiu um portão de dois metros, tubulação de água e esgoto, danificou a rede elétrica e parte de uma das três pistas. Nesta quarta-feira, às 11h, acontece uma audiência na 3ª Vara de Fazenda Pública do Rio, com representantes do Concessionária Rio Mais, do CEU e do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (RCMRJ) para resolver o impasse.

Rede elétrica do clube foi danificadaOsvaldo Praddo / Agência O Dia

“Um clube de 30 anos de história não pode ser invadido desta forma pela prefeitura. Estávamos numa assembleia aqui no local, quando fomos alertados que as máquinas estavam destruindo tudo. O portão está no chão. Não vamos arredar o pé daqui, se não vão invadir de novo”, protestou Jairo.

A ação teria sido foi baseada na revogação da juíza Alessandra Cristina Tufvesson Peixoto, da 3ª Vara de Fazenda Pública do Rio, do prazo de nove meses para 15 dias, para a remoção do CEU do local. Na decisão, ela autoriza o ingresso da concessionária no local para preparo das obras, porém, sem danos ao hangar que abrigam 148 aeronaves - segundo os sócios - e as pistas.

A entrada das máquinas, por volta das 20h30, foi impedida porque 120 dos 210 sócios do CEU interviram. Eles estavam reunidos em assembléia para discutir a decisão judicial e as medidas a serem tomadas. Alguns chegaram a colocar os veículos particulares na entrada para impedir a ação. Segundo eles, nenhum oficial de justiça acompanhava os funcionários.

Cinco retroescavadeiras e dois tratores%2C que seriam da Prefeitura Municipal%2C teriam invadido o Clube Esportivo de voo em JacarepaguáDivulgação

"Eles iam preparar o quê às 21h? Chegaram sem um oficial de justiça. Nossa sorte é que estávamos reunidos em assembléia. Ainda descumpriram ordem da juíza. A pista 21 foi destruída", argumentou o sócio Laerte Coutinho. Pelo contrato de desocupação, a Prefeitura deverá conseguir outro terro para abrigar o clube e pagar uma indenização de R$ 12 milhões.

A rede elétrica do clube foi danificada pelo avanço do maquinário. As instalações funcioram com o auxílio de geradores durante a madrugada, segundo a direção. Alguns sócios fizeram uma vigília na sede. Seguranças do CEU ficaram de plantão no local.

Opção, Aeródromo de Nova Iguaçu está interditado há nove anos

Segundo Laerte, em novembro de 2012 o terreno foi cedido a Rio Mais para a construção de parte do Parque Olímpico. No terreno de 130 mil metros quadrados, serão construídas duas quadras temporárias de tênis de 100 e 50 metros quadrados, ainda de acordo com o sócio do CEU. Após os Jogos de 2016 serão erguidos 18 conjuntos de prédios de 21 andares cada.

Em maio deste ano, a Justiça determinou a desocupação do clube em 40 dias. os sócios entraram com um recurso que prorrogou o prazo para nove meses. Na semana sexta-feira, a justiça revogou a decisão e estipulou 15 dias para a saída do CEU.

Desde a cessão do terreno, o clube informou que ofereceu à Prefeitura do Rio opções de locais para o remanejamento do CEU, mas não houve acordo. Um área do Exército em Guaratiba foi cogitada, mas o local não apresentaria condições por ter sido usado em treinos bélicos e haveira riscos para as operações aéreas. A opção vigente é o Aeródromo de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, numa área de 500 mil metros quadrados.

"Não podemos sair porque o Aeródromo de Nova Iguaçu está interditado há oito anos pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Não há infraestrutura para abrigar as aeronaves. Não há segurança operacional", decretou Laerte.

Segundo o sócio do CEU, mesmo com a liberação pela Anac, seriam necessário pelo menos seis meses de obras para a adequação do local. Ele afirmou que o corpo de sócios não é contra as Olimpíadas e nunca se opôs a deixar o terreno, mas reivindica um espaço adequado para as atividades de voo. Ele afirmou que o clube está estruturado para promover a mudança de sede assim que o impasse for resolvido.

"Da nossa parte já fizemos o dever de casa", finalizou.

O Clube Ceu foi fundado em 23 de outubro 1982 como uma entidade civil sem fins lucrativos por um grupo de pioneiros, visando a pratica da aviação ultraleve com estímulo às demais modalidades do voo esportivo.

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