Manifestante está internado em CTI após sofrer traumatismo craniano em protesto

Cerca de 20 pessoas buscaram abrigo na Casa de Saúde Pinheiro Machado durante confronto. Pedro Guimarães Lins Machado, de 27 anos, sofreu traumatismo crânio-encefálico

Por O Dia

Rio - Cerca de 20 manifestantes procuraram abrigo na Casa de Saúde Pinheiro Machado, localizada em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul, durante manifestação na noite desta quinta-feira. A ouvidoria da unidade informou nesta sexta-feira que nove pessoas que estavam no protesto foram atendidas com ferimentos leves.

Já Pedro Guimarães Lins Machado, de 27 anos, que também participou do ato, recebeu atendimento por volta das 21h com quadro de traumatismo crânio-encefálico. Segundo nota, Pedro está lúcido, não corre risco de morte, mas continuará no CTI por mais 24 horas em observação. Ainda não há informações sobre como a vítima acabou ferida.

Funcionários trabalham no entorno do Palácio GunabaraSeverino Silva / Agência O Dia

Uma porta de vidro do hospital foi quebrada durante a entrada dos manifestantes, que buscavam abrigo. A ouvidoria da Casa de Saúde informou que nenhum paciente internado na unidade sofreu qualquer transtorno em função do protesto.

A Polícia Militar informou, na manhã desta sexta-feira, que 46 pessoas foram presas por atos de vandalismo durante a manifestação desta quinta. Destas, nove foram autuadas em flagrante por formação de quadrilha.

Manhã de limpeza e prejuízos

Comerciantes e agentes da Prefeitura contabilizam os prejuízos na manhã desta sexta-feira após a manifestação que terminou em confronto em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras.

Na Rua Pinheiro Machado, em frente à sede do governo, funcionários da Secretaria de Obras trabalham soldando grades que cercam canteiros e foram arrancadas durante confronto entre PMs e manifestantes.

Vidro quebrado de agência bancária após protesto que terminou em confrontoSeverino Silva / Agência O Dia

Placas de sinalização de trânsito também acabaram quebradas. Na Rua Paissandu, caçambas de lixo foram arrancadas e queimadas por vândalos. Pedras portuguesas foram arrancadas do chão e usadas como armas. Câmeras de segurança localizadas na parte externa de edifícios acabaram depredadas.

Dona de uma banca de jornais da Rua Paissandu, Kenia Melo, de 52 anos, contabilizou prejuízo de R$ 500 nesta sexta. "Minha filha me ligou ontem à noite e disse que estavam quebrando a banca. Preferi esperar e vir pela manhã. Por sorte, a porta da banca afundou e não conseguiram saquear os produtos", afirmou a comerciante, que trabalha há 15 anos no local.

Polícia usa truculência para dispersar manifestantes

A Polícia Militar, em um exercício de truculência, atirou a esmo em manifestantes que voltaram a ocupar a Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara, pedindo a renúncia do governador Sérgio Cabral. Por volta das 22h desta quinta, mais de mil pessoas retornaram à via e foram recebidas com balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio.

Confronto cercou Palácio e levou pânico à Zona SulReuters

Em protesto, moradores de prédios vizinhos bateram panelas em janelas e a PM reagiu atirando contra os edifícios. Muitas pessoas foram presas sem saber o motivo.

Os policiais, em sua maioria do Batalhão de Choque (BPCHq), estavam com os nomes cobertos na farda ou máscaras nos rostos. A via foi desocupada às 22h40. Vários populares ficaram feridos ou passaram mal com as ações da polícia e foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros e médicos de hospitais próximos.

Muitas pessoas se trancaram em academias, lojas e edifícios. A Clínica Pinheiro Machado abriu a porta para abrigar manifestantes que pediram ajuda. Houve pânico, e o gás chegou a dominar o primeiro andar da unidade, obrigando quem tentou se abrigar a ocupar o segundo. O local teve ainda vidraças quebradas por balas de borracha. Isoladas lá dentro, pessoas pediram ajuda pelo celular.

Na Praça São Salvador, os PMs do Choque encurralaram manifestantes e revistaram grupos nas ruas adjacentes ao Palácio. Pedestres foram obrigados a deitar no chão. Mais tarde, um ônibus da polícia levou diversas pessoas. Inconformados, moradores dos prédios e populares tentaram intervir, pedindo pela soltura dos detidos.

A Rua Marquês de Abrantes, esquina com Paissandu, chegou a ser bloqueada por homens portando escudos. Ainda não há informações sobre o número de feridos.

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