Por thiago.antunes

Rio - Enquanto manifestantes e membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ relataram denúncias de excessos policiais na manifestação de quinta-feira, o governador Sérgio Cabral e a Polícia Militar ressaltaram a violência de grupos radicais. Cabral argumentou que não houve respeito ao jogo democrático. “Os atos de vandalismo que vimos não devem ser tidos como uma coisa normal. Não é assim que se faz oposição, não é atacando palácios, é debatendo.”

A 2ª Promotoria de Justiça e a Auditoria de Justiça Militar do Ministério Público, que investigam a atuação policial nas manifestações, pediram que vítimas de violência se apresentem ao MP para que o órgão possa reunir provas e denunciar os PMs que cometeram excessos.

Dificuldade

“Estamos com dificuldade na apuração porque muitos manifestantes que aparecem em vídeos supostamente sofrendo violência não nos procuram para relator o caso, para podermos denunciar o policial por lesão corporal”, disse o promotor Paulo Roberto Melo Cunha Júnior.

A OAB também está preparando um documento com dados de presos em todas as manifestações e sobre a ação da Polícia Militar durante os protestos no Rio. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade, Marcelo Chalréo, disse que a polícia “perdeu a noção”. Ele pediu ao comandante da Polícia Militar do estado, coronel Erir da Costa Filho, para afastar os policiais mais truculentos das ações de rua.

Questionado sobre o comportamento da polícia, Cabral voltou a declarar que “qualquer excesso deve ser repudiado”, mas evitou responder sobre as medidas que o estado adotará para identificar policiais que agiram de forma considerada inadequada.

Comissão de Direitos Humanos da OAB denunciou que houve excessos de policiais na manifestaçãoJoão Laet / Agência O Dia

Até menor de 7 anos na DP

O advogado André Barros, que esteve na 5ª DP (Centro) durante a manifestação, relatou em uma rede social que um menino de 7 anos, morador de rua, foi apreendido, sob acusação de ter atirado um coquetel molotov: “O menino, quando perguntado sobre o fato, disse que nem sabia o que era coquetel molotov.”

O promotor Paulo Roberto Melo Cunha Júnior disse que menores de 12 anos não podem ser enquadrados em prática de atos infracionais. O engenheiro naval Martin Gundelach, 24 anos, atingido por spray de pimenta no rosto por um PM, disse que não cometia nenhuma ilegalidade. “Estava sentado no chão e, quando levantei a pedido de policiais, levei o spray na cara.”

Governador Sérgio Cabral disse faltou respeito ao jogo democráticoSeverino Silva / Agência O Dia

Jovens detidos são soltos, mas serão processados

Os três jovens que permaneciam detidos na 5ª DP (Centro), acusados de arremessarem pedras contra policiais militares, conseguiram liberdade provisória na tarde desta sexta-feira. Rodrigo Faria Barreto, de 20 anos, Armando Herz Faria, 19, e Francisco Alves, 24, responderão por formação de quadrilha, desobediência, agressão e corrupção de menores.

Mais cedo, na delegacia, os jovens não haviam sido reconhecidos pelo policial que disse ter sido vítima da agressão. A solicitação do alvará de soltura foi feita e acompanhada de perto por integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB e pelo Instituto de Defesa dos Direitos Humanos.

Segundo Sílvia Heiz, mãe de Armando, um dos jovens detidos e liberados, o estudante de Veterinária disse não ter cometido infração e garantiu ter sido escolhido aleatoriamente em meio à multidão que fugia dos jatos de spray de pimenta. “Ele foi a várias manifestações, como simpatizante. Nunca foi filiado a qualquer partido.”

Dois menores de 17 anos, apreendidos na quinta, responderão por atos infracionais análogos aos crimes de lesão corporal, desobediência e formação de quadrilha.

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