Por raphael.perucci

Rio - A imprensa internacional tem acompanhado os protestos pelo mundo. Incluindo os do Brasil, descritos por jornalistas estrangeiros como inspiração para o que está acontecendo hoje na Bulgária. Como aqui, as manifestações mais recentes lá começaram com um problema específico e hoje são uma enorme mobilização pela moralidade na política. O que a imprensa internacional não tem noticiado é que, por ironia histórica, a Bulgária é a terra natal de Petar Steganov Russev, que veio tentar a vida no Brasil, mudou o nome para Pedro Rousseff e teve uma filha que virou presidenta.

Nação mais pobre da União Europeia, a Bulgária de Petar Russev atravessa uma crise institucional que já levou os búlgaros às ruas outras vezes e obrigou o país a antecipar as eleições legislativas para maio. Mas a crise só piorou, e os búlgaros estão até hoje envolvidos num enredo sem fim de denúncias de corrupção contra políticos e uma assustadora instabilidade no governo. Neste turbilhão, a revolta popular voltou a explodir quando, em 14 de junho, Delyan Peevski, de 32 anos, foi indicado para o cargo de chefe da Agência de Segurança Nacional. Trata-se da versão búlgara, guardadas as devidas proporções, da CIA.

Peevski vem da família que é dona do maior grupo de mídia da Bulgária (80% do mercado) e foi escolhido sem que o Parlamento fosse consultado. Para piorar, Peevski tinha um cargo público que perdeu em 2007 por denúncias de chantagem.

A indicação de Peevski acabou revogada, mas já era tarde. À indignação causada por sua escolha somou-se a queda da autoestima do povo que em 2008 tinha a menor dívida pública da União Europeia e hoje tem a pior qualidade de vida do bloco. E o resultado é um caldeirão em que búlgaros não se sentem representados pelos políticos, querem a renúncia do governo, mas só podem, por enquanto, gritar abraçados à sua bandeira: “Não vamos ficar em silêncio” e “Acorda, Bulgária”.

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