Oito suspeitos capturados na Rocinha têm a prisão decretada

Ex-chefe do tráfico da favela, Nem foi condenado a mais 16 anos de prisão

Por O Dia

Rio - A Justiça decretou nesta segunda-feira a prisão dos oito suspeitos presos em flagrante durante a operação Paz Armada deflagrada pelas polícias Civil e Militar na Rocinha sábado. Dos 58 mandados de prisão expedidos pela Justiça, 25 foram cumpridos. No sábado também, três menores foram apreendidos na ação.

Entre os 33 procurados, estão cinco traficantes acusados de invadirem o Hotel Intercontinental, em São Conrado, em 2011. Na operação, dois foram pegos e um já estava preso. Alguns dos foragidos também são citados em um funk, feito pelos criminosos sobre o tráfico na Rocinha, que está circulando na Internet.

Nesta segunda-feira, policiais da UPP da favela passaram o dia revistando carros e pessoas que entravam e saíam da comunidade. A região permanece com acessos cercados desde a ação. Policiais civis estão na favela. Eles buscam foragidos.

Moradores são revistados na RocinhaCarlos Moraes / Agência O Dia

Nem é condenado e juíza fala em 'feudo' de criminosos

Um esquema lucrativo a serviço do crime. Assim era a Rocinha, antes da ocupação definitiva pela polícia, quando ainda era dominada pelo chefão do pó Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Preso desde novembro de 2011, às vésperas da entrada da polícia na comunidade, o traficante foi condenado ontem a 16 anos e 8 meses de reclusão por associação ao tráfico.

Coincidentemente, o criminoso recebeu punição semelhante em abril, pelas mãos da mesma juíza: na época, a magistrada Alessandra de Araújo Bilac assinou a sentença que condenou Nem a 20 anos de prisão.

O inquérito da extinta Delegacia de Repressão à Armas e Explosivos (DRAE) que deu origem ao processo, detalhou o esquema utilizado por Nem a partir de depoimentos de testemunhas e escutas telefônicas autorizadas pela Justiça.

Nem já havia sido condenado em outro processoGabriela Moreira / Agência O Dia

Segundo investigações, a comunidade era dividida em setores de venda de drogas e compra de armas. Somente em um desses locais, apontam as apurações da polícia, o ‘empresário do crime’ Nem faturava de R$ 30 mil a R$ 160 mil por semana. O dinheiro chegava até ele através de depósitos bancários do que era arrecadado na venda de entorpecentes.

Na época, cada fuzil 7.62 comprado pelo bando custava em torno de R$ 50 mil. Ainda no processo, testemunhas contaram que havia de 400 a 600 criminosos atuando na Rocinha sob as ordens do chefão Nem, que decidia todas as principais ações da quadrilha, desde a compra de material bélico até as sentenças de morte de rivais e desafetos.

Na época da invasão ao Hotel Intercontinental, em São Conrado, ele mandou reforçar o estoque de ‘abacaxis’ (granadas) vindos do Paraguai. E assim foi traçado o trágico destino da modelo Luana Rodrigues, executada por ordem de Nem que suspeitava que a moça tivesse dedurado as ações do bando. 

Na decisão, a juíza chega a comparar a comunidade a um ‘feudo’, tendo o criminoso como ‘senhor feudal’ e sendo assessorado por ‘vassalos’ (comparsas). “O réu não hesitava em se utilizar de violência e truculência para fazer com que sua vontade prevalecesse”, diz trecho da sentença.


Colaborou Maria Inez Magalhães

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