Por thiago.antunes

Rio - O sonho de Wellington Braz, 17 anos, de seguir carreira na Marinha foi sepultado na noite do dia 14 de abril, no Viradão Carioca, em Nova Iguaçu, quando ele foi vítima de espancamento durante briga. Mas, segundo denúncia, a morte poderia ter sido evitada.

Após três meses, bastidores da liberação da festa vêm à tona. O aval dado para utilização do Aeroclube poucas horas após sua interdição — com suposta intervenção do subchefe de Polícia Civil, Sérgio Caldas — está sendo investigado pela Corregedoria-Geral Unificada, assim como as permissões da PM e bombeiros.

As denúncias de jogo de interesse e negligência feitas pelo delegado Jardiel Santos de Melo, então assistente na 52ª DP (Nova Iguaçu), são referentes a pedido de nada opor da Prefeitura de Nova Iguaçu.

Tânia Maria Braz lamenta a morte do filho e diz quer justiçaAlexandre Vieira / Agência O Dia

O documento, repassado dois dias antes do evento, realizado de 12 a 14 de abril, foi indeferido pela autoridade policial. O argumento foi o descumprimento do prazo para envio de ofícios de festas, que deve ser de oito dias.

Dia 12, o delegado foi ao clube e, constatando falta de segurança, o interditou. Mas, por volta das 19h20, conforme consta no documento, recebeu ligação de Caldas, questionando a decisão. Em conversa, o subchefe teria afirmado que a chefe de Polícia, Martha Rocha, poderia liberar a festa. Horas depois, a 58ª DP (Posse), delegacia que não corresponde à área, autorizou o evento.

“Se não era permitida e foi feita, é porque alguém não teve responsabilidade. Meu filho foi se distrair e não voltou”, se indigna Tânia Maria Braz, mãe de Wellington. Segundo o corregedor-geral, Giuseppe Vitagliano, sindicância foi instaurada e os envolvidos serão chamados para depor. O caso pode virar processo administrativo disciplinar.

Delegado foi transferido para Cabo Frio

A representação foi encaminhada à Corregedoria-Geral no dia 25 de abril. Em julho, o delegado foi transferido para a 126ª DP (Cabo Frio). Mas, depois do mandado de segurança impetrado na Justiça, Jardiel deve retornar à delegacia anterior. Os relatos da autoridade policial são defendidos por testemunhas e amigos da vítima.

“O local não tinha segurança nenhuma, nem sequer era feita uma revista. Durante a briga vi pessoas com facas, já que muitas outras tiveram acesso ao clube por uma área aberta, que sai de uma rua. Além disso, os poucos seguranças que tinham no local nada fizeram, e o Wellington esperou mais de 30 minutos por atendimento do Corpo de Bombeiros”, comentou um adolescente que estava no local e preferiu não se identificar.

Polícia diz que bombeiro autorizou

As suspeitas de omissão estão relacionadas a outras corporações, segundo o delegado. A PM, diante do parecer negativo de uso da área, citada como mata e sem infraestrutura adequada, deferiu a realização.

Já o Corpo de Bombeiros indeferiu a solicitação às 18h15, seguindo avaliação da Polícia Civil, através do documento E-09 /013391 / 1052 / 2013.

Conforme a representação, novo documento, liberando a festa, teria sido apresentado pouco depois na DP. Os questionamentos voltam-se ainda para o registro de ocorrência da morte de Wellington, espancado a pauladas e pedradas. O fato foi comunicado na 58ª DP, na Posse, com título de “Remoção para Verificação de Óbito”.

A PM informou que deferiu por não encontrar impedimento e que o policiamento foi feito na área externa do evento. O Corpo de Bombeiros explicou que as exigências foram cumpridas após o indeferimento. A prefeitura ressalta que a segurança do evento foi feita pela PM.

Em nota, a Polícia Civil esclareceu a autorização foi feita após os bombeiros constatarem que as exigências foram cumpridas. O documento foi enviado ao delegado Marcus Oliveira, da 58ª DP (Posse), de plantão na área do evento, e concedeu o ‘nada opor’ para a realização.

Sobre a investigação da morte, a Polícia Civil explicou que remoção de cadáver foi registrada na 58ª DP porque o adolescente morreu na Posse. Quanto à transferência de Jardiel Melo, as mudanças de lotação de agentes são rotinas administrativas.

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