Por bianca.lobianco

Rio - O governador Sérgio Cabral se reuniu na manhã desta quinta-feira, no Palácio Guanabara, com o prefeito Eduardo Paes, a presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Leila Mariano, o procurador-geral do Rio, Marfan Martins Vieira, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) Felipe Santa Cruz e o defensor-geral Nilson Bruno. Antes do encontro, no entanto, Cabral teve uma reunião de emergência com a cúpula da Segurança Pública. Na pauta, estavam os protestos que ocorreram na noite de quarta-feira nas ruas do Leblon e Ipanema.

Em entrevista coletiva, o presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, fez uma ressalva para as atuações de grupos fascistas dentro das manifestações e não poupou críticas à atuação da PM. "A OAB vai criticar quando tem que criticar e nós temos muitas críticas em relação à atuação da polícia, que ainda não é uma polícia cidadã e tem muita coisa para se melhorar. Mas vimos claramente atuações fascistas em um movimento que é legítimo", relatou.

Agência ficou destruída no Leblon após protestoAlessandro Costa / Agência O Dia

O procurador-geral do estado do Rio, Marfan Martins Vieira, disse que o Ministério Público enquanto instituição responsável pela defesa da ordem jurídica e do regime democrático está cumprindo a sua missão.

"É importante fazer um distinção entre os movimentos legítimos e democráticos que ocorreram em junho e as atuações isoladas de grupos que se organizam através das redes sociais com o intuito de depredar" disse ele.

Marfan Vieira acrescentou que o que ocorreu nos protestos de quarta foi um verdadeiro passeio pelo Código Penal, em que se via claramente a formação de quadrilha, crimes e danos ao patrimônio particular, e furto qualificado pelo arrombamento, incêndio, explosão, sem falar nos crimes contra a incolumidade física dos policias.

Manifestantes queimaram lixo para fazer barricada no Leblon nesta quartaAlexandre Vieira / Agência O Dia


"O Ministério Público tem o dever, a função institucional, de na defesa da ordem jurídica, responsabilizar as pessoas que agiram assim. E se aproveitam de movimentos legítimos, infiltrando-se neles e violando a ordem jurídica", segundo o procurador, na noite de quarta, foram autuados em flagrante delito nove participantes da manifestação.

O governador Sérgio Cabral se pronunciou, em nota, sobre os atos de vandalismos cometidos na Zona Sul, na noite de quarta-feira, e disse que o que ocorreu foi uma afronta ao Estado Democrático de Direito. "O governo do estado reitera a sua posição de garantir, através das forças de Segurança Pública, não só o direito à livre manifestação, como também o direito de ir e vir e à proteção ao patrimônio público e privado", finalizou. 

'Sem líder não há diálogo', diz comandante da PM após protestos no Leblon

O comandante da Polícia Militar, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, afirmou, durante entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira no Palácio Guanabara, que não terá como fazer uma negociação sem um líder do movimento, ao ser questionado sobre os protestos que ocorrem há um mês no Rio de Janeiro e que não possuem um representante definido. "Hoje nós vamos ter que negociar virtualmente, sem líder não há diálogo", afirmou.

Sobre os excessos cometidos por parte da polícia e dos manifestantes, o secretário de segurança pública do Rio, José Mariano Beltrame enfatizou mais uma vez que os excessos não serão tolerados, nem nas manifestações e nem em lugar nenhum.

Cúpula da Segurança Pública fala sobre protestos no LeblonEstefan Radovicz / Agência O Dia

O coronel Alberto Pinheiro Neto, chefe do Estado-Maior da PM, informou que o acordo que foi feito entre polícia e manifestantes, de não usar o gás no protesto, não deu certo. "Estamos analisando novos procedimento técnicos para descobrir como agir".

A chefe da Polícia Civil Martha Rocha afirma que a polícia continua investigando, mas que as prisões pelos crimes que ocorreram nos últimos atos de vandalismo, por formação de quadrilha e incitação ao crime, dano, desacato e lesão corporal preveem fiança. Ela alegou também que cabe a mídia ajudar a investigar os culpados.

Beltrame também foi enfático ao afirmar que o planejamento para a visita do Papa Francisco, para a Jornada Mundial da Juventude, que ocorrerá na próxima semana na cidade, já está pronto.

Coronel Erir Ribeiro%2C comandante da PM%2C afirmou%2C durante entrevista%2C que não há diálogo sem um líder representando o movimentoEstefan Radovicz / Agência O Dia

"O planejamento para a visita do Papa está pronto. Ele tem um protocolo. A gente sabe o que vai acontecer na agenda desta autoridade. A questão da manifestação é diferente, a PM está adaptando, porque não há uma agenda coordenada. A gente está atento, mas tem que ver quando vai acontecer, se isso vai acontecer, porque a gente não tem esta informação"

Complementando o que Beltrame disse, o comandante da PM, coronel Erir afirmou que "durante a Copa das Confederações, quem foi ao estádio, só soube do que houve nas ruas quando chegou em casa". O comentário foi uma menção ao que pode ocorrer na Jornada Mundial da Juventude, sobre os possíveis protestos durante a próxima semana.

A reunião de emergência com a cúpula da segurança pública do estado foi convocada pelo governador Sérgio Cabral após protestos realizados na noite de quarta-feira no Leblon.

Clima ficou tenso durante protesto

Por volta das 22h de quarta-feira, durante manifestação que ocorria nas imediações do Leblon, um princípio de tumulto ocorreu quando uma emissora de TV foi expulsa pelos manifestantes. Outro momento de tensão aconteceu quando um homem que parecia drogado ou alcoolizado tentou derrubar a grade da via Aristídes Espínola, onde mora o governador Sérgio Cabral, que foi fechada desde 17h30 por policiais militares.

Um jovem, identificado apenas como Anderson, foi detido durante o protesto e provocou revolta nas pessoas. Elas afirmam que ele foi preso e levado para o presídio de Japeri, na Baixada Fluminense. A comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi até o Tribunal da Justiça do Rio (TJ-RJ), nesta quinta, para protocolar o pedido de hábeas corpus do detido. Segundo a polícia, ele foi preso sob a acusação de formação de quadrilha, quando PMs revistaram a mochila do rapaz e encontraram dois morteiros.

Loja da Toulon foi depredada no LeblonAlexandre Vieira / Agência O Dia

Ainda na noite de quarta, um rapaz foi retirado do local pelos próprios ativistas, sob acusação de ser agente do serviço reservado da PM (P2) e miliciano. Mais cedo, manifestantes queimaram um boneco que representava Cabral que estava preso à uma placa de trânsito. Em seguida, índios da Aldeia Maracanã fizeram uma pajelança no trecho. Questionado sobre a maré de azar do governador, o cacique Uratau, da etnia Guajajara, disse que "Cabral mexeu com ancestrais e índios de todo o Brasil ao fechar o Museu do Índio. O prédio é simbólico para todos nós", afirmou.

O cenário de destruição se estendeu por pelo menos quatro quarteirões. A polícia chegou a usar um caminhão pipa com jatos d'água em um grupo, que exclamou: "Levem essa água para a Baixada!". Após cerca de uma hora, eles marcharam até a residência do secretário de Segurança José Mariano Beltrame, na Rua Redentor, em Ipanema.

Um grupo seguiu para a Rua Visconde de Pirajá, a principal de Ipanema, no início da madrugada. Alguns apedrejaram quatro agências do Banco Itaú, uma do HSBC e uma do Bradesco, apenas no trecho entre a Avenida Henrique Dumont e a Praça Nossa Senhora da Paz. Uma loja da Toulon também foi depredada e as roupas foram distribuídas para os mendigos.



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