As Caras do Rio: Sinal verde para a fé cristã

"Já falei muito de Deus para pessoas revoltadas com infrações", diz Glen Borba

Por O Dia

Rio - A missão dele é mesmo dar orientação. Seja nas ruas ou na igreja, a tarefa diária de Glen Borba Carreira, de 51 anos, é indicar o caminho. Há 20 anos, atua como guarda municipal e foi ordenado diácono no ano passado. Nunca recorreu a armas letais, “graças a Deus”. Já tem trabalho na Jornada Mundial da Juventude, quando vai coordenar um núcleo de catequese para 158 peregrinos de língua francesa, incluindo um bispo, na paróquia pela qual é responsável, em Tomás Coelho. Enquanto isso, é conhecido por acalmar motoristas revoltados usando seu “testemunho de fé”.

"Já falei muito de Deus para pessoas revoltadas com infrações"%2C Glen BorbaJoão Laet / Agência O Dia

Depois de trabalhar 13 anos ordenando o trânsito, ele agora tem cargo administrativo na Unidade de Ordem Pública do Méier, onde sua formação religiosa entra em ação diariamente. “Já falei muito de Deus para pessoas revoltadas com infrações”, comenta. Glen garante que seu expertise de relacionamento e convívio social nas ruas ajuda na sua atuação como diácono, enquanto a igreja o torna mais paciente, humano e educado para ser guarda. “É uma via de mão dupla”, compara.

Para ser um bom diácono, Glen lista a importância de ter boa fama, ser orante e centrado. Exatamente as mesmas características que acredita definirem um bom guarda. “Nunca fiz nada na profissão que ofendesse minhas convicções religiosas. Sou uma pessoa só”, garante. Como exemplo, cita vezes que intermediou conflitos e ajudou pessoas desorientadas, orientado “pelos ensinamentos de Cristo”.

Católico de berço, Glen não foi padre pelo amor à mulher, com quem é casado há 28 anos e tem um filho. Ela teve que dar consentimento para ele seguir a carreira religiosa. “Só posso virar padre mesmo se ficar viúvo”, explica. Para se tornar diácono, teve que ser indicado pela paróquia que frequentava e fazer uma formação de cinco anos. Hoje, celebra casamentos, batizados, abençoa objetos, aconselha pessoas, ajuda em missas e dá palestras, quando não está na guarda. Seu sonho agora é virar professor de ensino religioso em universidades, o que pretende fazer quando se aposentar, daqui a dois anos. “Eu me ordenei não para ser melhor que os outros, mas para ser melhor para os outros”, filosofa. Nas horas vagas, gosta de praia e de cantar.

Entre os guardas, as coisas mudaram depois que Glen se ordenou. “Os colegas até param de brincar quando eu chego, pedem minha bênção”, revela. Na Jornada, a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, de Glen, vai hospedar mais de 1.000 jovens no CIEP Frederico Feline. O guarda, que é morador de Pilares, vai organizar tudo.

1. QUANDO FOI CRIADA A GUARDA MUNICIPAL?
 Lei Municipal 1.887, de 27 de setembro de 1992, a criou, mas só foi implantada pelo Decreto Municipal 12.000, de 30 de março de 1993.

2. QUANTOS ATUAM HOJE NO RIO?
São 5.200 guardas municipais e 380 funcionários administrativos. Para chegar a este efetivo, a prefeitura promoveu cinco concursos.

3. OS DIÁCONOS FAZEM PARTE DO CLERO?
Sim. Esse Sacramento imprime caráter eterno. Não há como retroceder. Ele pode exercer seu ministério em qualquer lugar do mundo.

4. PODE VIRAR PADRE DEPOIS?
Tem dois tipos de diáconos: o transitório, no processo de virar padre, e o permanente, que é casado, e só pode virar padre se ficar viúvo.

5. QUANTOS MORAM EM TOMAS COELHO?
O bairro que sedia a igreja de Glen tem cerca de 23 mil habitantes. Fica perto de Vicente de Carvalho, Engenho da Rainha e Pilares, onde ele mora.

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