Por thiago.antunes

Rio - O estudante Bruno Ferreira, 25 anos, que terça-feira ficou três horas em Bangu II acusado de tentativa de homicídio, mas acabou liberado graças a vídeos que o inocentavam, disse que não voltará mais às manifestações nas rua.

Bruno, que mostrou tranquilidade e segurança ao deixar o presídio, se chocou ao tentar ver os vídeos onde é agredido violentamente por policiais. “Não consigo ver. Não dá. É forte demais para mim”, disse Bruno, aos prantos, saindo de perto da mãe, que está em estado de choque.

Bruno disse que não vai mais participar de manifestaçõesEstefan Radovicz / Agência O Dia

O estudante, que é voluntário em trabalho com crianças carentes na Uerj, afirmou que está com medo de voltar às manifestações, mas continua apoiando o movimento. Ainda em dúvida quanto ao que fará a partir de agora, ele diz que se entrar com ação e for indenizado pelo estado doará tudo o que receber a instituições que trabalham com Educação.

O Jornal Nacional, da TV Globo informou nesta quarta-feira que no inquérito um dos policiais que prenderam Bruno relatou que o estudante não estava com nenhum coquetel molotov na hora da prisão.

Cabral anuncia mudança em decreto

O governador Sérgio Cabral anunciou nesta quarta que vai modificar o polêmico decreto que cria a Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas (CEIV). Considerado ilegal por juristas e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o texto dava à CEIV carta branca para quebrar sigilos telefônicos e de internet na produção de provas contra manifestantes.

“Só a União, por meio de lei federal, pode ditar normas processuais. Além disso, o decreto viola a Constituição Federal, que diz que a quebra do sigilo telefônico e de meios tecnológicos só pode ocorrer com autorização judicial”, explicou Ronaldo Cramer, vice-presidente da OAB-RJ.

No novo texto, que será publicado hoje, Cabral acrescentou um parágrafo onde deixa claro que só o Judiciário pode autorizar a quebra de sigilos telefônicos e de internet.

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