Justiça arquiva processo contra estudante preso durante manifestação

Bruno Telles foi acusado de jogar coquetel molotov em PMs, mas ato nunca ficou comprovado

Por O Dia

Rio - A juíza titular da 21ª Vara Criminal, Ana Luiza Nogueira, determinou o arquivamento do processo contra o estudante Bruno Telles, de 25 anos, preso na última segunda-feira acusado de ter jogado um coquetel molotov em policiais militares numa manifestação em frente ao Palácio Guanabara.

Diversos vídeos produzidos durante a manifestação mostraram que policiais militares agrediram e prenderam o estudante, e ainda forjaram prova para incriminá-lo. Um dos advogados de Bruno, Miguel Dehon, vai processar o estado por dano moral e psíquico. Raul Lins e Silva, da Comissão de Direitos Humanos da OAB, comemorou a decisão.

“A Ordem dos Advogados do Brasil está sempre na trincheira em defesa da legalidade e mais uma vez cumpriu o seu papel. Este é um caso emblemático, tendo em vista que um jovem absolutamente inocente provavelmente passaria o resto dos dias na prisão”, disse Raul, que trabalhou em parceria com o Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos.

Bruno diz que não vai mais participar de manifestaçõesEstefan Radovicz / Agência O Dia

O Ministério Público entendeu que o depoimento solado do policial militar, responsável pela prisão de Bruno, “não configura indício suficiente de autoria a justificar a deflagração da instância penal, em não havendo outras provas”.

De acordo com a perícia realizada pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP, as imagens da manifestação mostram que o estudante não estava posicionado no local de onde os artefatos foram arremessados.

Estudante não vai mais participar de manifestações

Bruno declarou na última terça-feira, após ficar preso três horas em Bangu II acusado de tentativa de homicídio, que não voltará mais às manifestações nas rua.

Bruno, que mostrou tranquilidade e segurança ao deixar o presídio, se chocou ao tentar ver os vídeos onde é agredido violentamente por policiais. “Não consigo ver. Não dá. É forte demais para mim”, disse Bruno, aos prantos, saindo de perto da mãe, que está em estado de choque.

O estudante, que é voluntário em trabalho com crianças carentes na Uerj, afirmou que está com medo de voltar às manifestações, mas continua apoiando o movimento. Ainda em dúvida quanto ao que fará a partir de agora, ele diz que se entrar com ação e for indenizado pelo estado doará tudo o que receber a instituições que trabalham com Educação.

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