Polícia investiga falhas em câmeras na Favela da Rocinha

Agentes vão verificar se sangue encontrado em viatura pertence a pedreiro desaparecido

Por O Dia

Rio - A Polícia Civil investiga o mal funcionamento de duas câmeras instaladas na Favela da Rocinha, Zona Sul do Rio, no dia do sumiço do pedreiro Amarildo Dias de Souza, 47 anos, visto pela última vez no dia 14 de julho, quando foi levado por PMs até a base da UPP local. A empresa Emive, responsável pelos 80 equipamentos da comunidade, enviou um relatório à Polícia Militar informando que as duas câmeras, quem filmam a UPP, deixaram de funcionar no dia do desaparecimento do pedreiro. As informações são do RJTV.

Um técnico da empresa constatou que, no dia do sumiço de Amarildo, o equipamento estava queimado. Segundo a Emive, as câmeras apresentaram problemas em diveras ocasiões. Um exame de confronto de DNA feito nesta quarta-feira a partir de material cedido por dois filhos do ajudante de pedreiro dirá se é dele o sangue encontrado por peritos no carro 6014 usado por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha.

Nas buscas na Rocinha%2C policiais acharam o corpo de Gisele da Silva Santos%2C 31 anos%2C que morava na favelaAlexandre Brum / Agência O Dia

Neste veículo, o trabalhador foi levado até à sede da UPP, no dia 14. Desde então, está desaparecido. Peritos encontraram sangue no porta-malas e no banco de trás do carro. Os primeiros exames confirmaram que o material no banco era de homem, mas não foi possível identificar a origem do que estava no porta-malas.

O resultado do teste será divulgado em até 30 dias. Imagens gravadas por câmeras de segurança mostraram o pedreiro no carro com a identificação 6014 e depois entrando na sede da UPP. A partir daí, ele não foi mais vistos. Os policiais alegam que o liberaram, mas não há nenhum registro de sua saída da unidade. 

A partir desta quarta, a investigação sobre o desaparecimento do ajudante de pedreiro sai da 15ª DP (Gávea) e passa para a Delegacia de Homicídios. A mudança será para cumprir determinação da chefia de Polícia Civil de que, após 15 dias sem conclusão dos trabalhos, a apuração deve passar para a delegacia especializada.

Corpo encontrado em vala

Foi encontrado, na tarde desta terça-feira, um corpo na Favela da Rocinha, na Rua do Valão, por volta das 17h. De início, os PMs pensaram se tratar do corpo do pedreiro Amarildo Dias de Souza, 47 anos, desaparecido desde o dia 14, quando foi levado por policiais até a base da UPP local. Foi constatado, no entanto, que o corpo é de Gisele da Silva Santos, 31 anos, desaparecida desde a última quarta-feira. Segundo a família, ela seria usuária de drogas.

Corpo de mulher foi encontrado na RocinhaReprodução Internet

De acordo com os PMs, a família do pedreiro chegou a ir até o local, mas foram embora após a identificação de Gabriela por agentes da Delegacia de Homicídios (DH).

Procura no Caju

Agentes da 15ª DP (Gávea) realizaram buscas nesta terça-feira pelo corpo do pedreiro na região do Caju, na Zona Portuária. Os policiais foram até a Comlurb, na Rua Carlos Seixas, mas nada foi encontrado.

Na última semana os agentes fizerma buscas na localidade conhecida como Alto da Dioneia, na Rocinha, na Zona Sul. De acordo com o delegado-titular da unidade, Orlando Zaccone, o local foi indicado por testemunhas que sugeriram o lugar onde o corpo de Amarildo de Souza poderia estar enterrado.

Dois protestos sobre o caso estão previstas, o primeiro será às 9h desta quarta, em Copacabana, organizado pela ONG Rio de Paz, em frente ao Hotel Copacabana Palace. Na quinta-feira, os parentes e amigos de Amarildo pretendem sair em passeata, às 18h, da Rocinha.

Nesta segunda, novas testemunhas prestaram depoimento na 15ª DP (Gávea). Peritos estiveram na comunidade semana passada, mas as câmeras de vigilância não estariam funcionando no dia do desaparecimento.

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