Prefeitura inicia cadastro de famílias desabrigadas em Campo Grande

'Queremos tudo formalizado e homologado. Nada de boca-a-boca para garantir a segurança dos moradores', diz defensor público

Por O Dia

Rio - A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social já cadastrou 13 famílias desabrigadas para ficar no hotel Hotelon, no Centro de Campo Grande, na Zona Oeste. Cerca de 138 atendimentos médicos já foram efetuados na Escola Municipal Casimiro de Abreu. Uma adutora rompeu e inundou algumas áreas de Campo Grande, na manhã desta terça-feira. Uma criança de 3 anos morreu. 

Defensoria Pública vai garantir indenização 

O defensor público do Núcleo Especializado de Defesa do Consumidor (Nudecon), Eduardo Tostes, está com uma equipe da defensoria pública para fazer a intermediação entre os moradores e a Cedae. 

Segundo a coordenadora do núcleo, Alessandra Bentes, a ideia é chegar a um acordo extrajudicial que garanta o ressarcimento justo e rápido para todos os atingidos pelo acidente - familiares da menina Isabela Severo da Silva, feridos e pessoas que tenham sofrido prejuízos materiais -, além de assistência imediata aos desabrigados.

"Vamos primeiro garantir o mínimo de dignidade dos moradores, o que é mais necessário, como vestuário, moradia e alimentação. Posteriormente, vamos garantir os bens materiais perdidos. Queremos tudo formalizado e homologado, nada de boca-boca, para garantir a segurança das vítimas", informou Tostes. 

O diretor jurídíco da Cedae, Sérgio Pimentel, disse que, até o momento, 17 casas foram destruídas. Ele informou que a Cedae tem até sexta-feira para fazer o levantamento de toda a destruição e que todos os moradores serão levados a uma loja de departamento para comprar os objetos que foram perdidos. Pimentel acrescentou que o local será analisado para ver se as casas poderão ser construídas no terreno que foi inundado. "Não dá para saber ainda se as casas estavam na faixa de domínio permitida", concluiu.

Tragédia anunciada 

Rompimento de adutora em Campo GrandeSeverino Silva / Agência O Dia

O morador Jorge Luiz Carvalho, de 43 anos, disse, nesta terça-feira, que o rompimento da adutora em Campo Grande já era uma tragédia anunciada. Segundo ele, uma draga operava por cima do duto que estava em obra. Ele acrescenta que os moradores da rua já estavam com medo de que acontecesse algum rompimento. "É um absurdo um descaso com a gente que é pobre, se isso acontecesse com um empresário mandariam um helicóptero para resgatar".

Inundação mata criança de 3 anos

O corpo da criança de 3 anos, que morreu por conta da inundação na rua, ainda está no necrotério do hospital Rocha Faria e deverá ser transferido para IML de Campo Grande. Uma equipe de médicos, assistente social e uma advogada da Cedae estão no hospital para acompanhar os feridos. A assistente social da Cedae tentou falar com o pai e a mãe da criança, mas eles não quiseram falar nada sobre o caso. A Cedae informou que vai pagar o funeral e o sepultamento da vítima.

O coordenador de medicina da Cedae Ronaldo Turano já conversou com o vice-diretor do hospital, onde as sete vítimas estão internadas, e afirmou que se fosse necessário faria a transferência dos feridos para uma unidade particular Mas vice-direto disse que não haveria necessidade, já que não tem nenhum ferido em estado grave.

'A perda de uma criança é irreparável', diz Cabral

O governador Sérgio Cabral foi até Campo Grande nesta terça-feira para acompanhar os trabalhos dos bombeiros e dos técnicos da Cedae. No local houve uma inundação ocasionada pelo rompimento da adutora Henrique Novaes. A jovem Isabela Severo dos Santos, de 3 anos, morreu afogada.

"Casas se reconstroem, objetos se compram, mas a perda de uma criança é irreparável. O governo irá prestar todo solidariedade a estas famílias que foram tomadas de pânico e terror com o rompimento da adutora", disse Cabral.

Todos os moradores atingidos serão ressarcidos pela Cedae e governo. Eles serão transferidos para hotéis ou motéis, perto de suas famílias, e receberão alimentação e cuidados médicos. Cabral disse ainda que a Cedae e peritos independentes vão apurar as causas do acidente.

O prefeito Eduardo Paes também esteve em Campo Grande e prestou solidariedade às vítimas. "O primo da menina Isabela trabalha conosco como assessor. Vamos tentar encontrar alternativas para essas pessoas e olhar para as razões do acidente", afirmou.

Segundo o subsecretário de Defesa Civil, Marcio Motta, 20 casas foram destruídas e 200 atingidas em três quarteirões.

Rompimento de adutora assustou moradores de Campo GrandeReprodução TV Globo

'Perdi tudo, minha casa acabou'

O mecânico Adilson da Silva Serpa, de 42 anos, teve a casa destruída. Ele estava com a enteada Lavínia dos Santos Moura, 8, a esposa Ana Paula dos Santos de Oliveira, 32, e o cunhado Daniel Alberto. A família acordou por volta das 5h30 assustada com um barulho de água caindo no telhado de sua casa, na Rua Projetada A.

"No começo achamos que era chuva. Mas o barulho não diminuiu e as telhas começaram a quebrar. Fomos para o segundo andar e quando abrimos a porta do banheiro vimos as paredes caindo. Logo em seguida um jato de água jogou todos nós para da casa fora", contou Adilson.

Rompimento de adutora assustou moradores de Campo Grande

De acordo com o mecânico, a família foi resgatada com auxílio de um bote. "Depois que caí na água não vi mais nada. Foi um desespero tremendo. Perdi tudo. Quatro carros foram destruídos. Terei que construir tudo de novo, minha casa acabou", lamentou. O cachorro da família, segundo ele, ainda não foi encontrado.

Adilson disse que há dois meses uma empresa particular realizou serviço de terraplanagem exatamente no local onde a adutora de rompeu.

Áreas sem luz

Segundo Almir Moura, gerente da regional oeste da Cedae, a adutora que se rompeu faz a ligação entre o reservatório de Marapicu e o Centro da cidade. "Recebemos uma ligação de um morador, às 5h40, informando sobre um vazamento no local. Vinte minutos depois, às 6h, houve o rompimento", afirmou.

De acordo com Almir, ainda não é possível precisar a quantidade de água lançada nas ruas. A linha rompida vai até o Centro e por conta da interrepção no fornecimento de água, o abastecimento na região central pode ficar comprometido. A Cedar pede que a população economize água.

Técnicos da Cedae trabalham no local. Segundo a concessionária, o registro da adutora de grande porte foi desligado e a água foi manobrada para outras adutoras que passam pela região.

De acordo com a assessoria de imprensa da Light, com a explosão da adutora, a rede da concessionária foi atingida e danificada. Por conta disso, parte de Campo Grande está sem energia. Segundo a concessionária, técnicos trabalham no local para restabelecer o fornecimento.

Segundo problema em 15 dias

Este é o segundo problema com adutora da Cedae num espaço de tempo de 15 dias. No último dia 15 de julho, conforme O DIA 24 Horas registrou, na Zona Norte, a Avenida Brás de Pina voltou a ser interditada, no cruzamento com a Rua Guaporé, na Penha Circular, devido a um afundamento de pista.

A via tinha sido interditada no sábado, 13 de julho, foi liberada na segunda-feira, 15, mas voltou a ser interditada no mesmo dia, por volta do meio-dia, para a realização de uma obra emergencial. Houve rompimento de uma adutora e problemas nas obras de drenagem na da Zona Norte.

Equipes do setor administrativo e patrimonial da Cedae estão no local fazendo o levantamento dos danos causados aos moradores, que perderam casas, carros, entre outros bens. A Cedae não soube explicar porque duas adutoras da companhia apresentaram problemas em 15 dias.



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