Por cadu.bruno

Rio - Funcionários da Câmara dos Vereadores fazem limpeza nos arredores da Casa na manhã desta quinta-feira. O local foi invadido na noite desta quarta durante manifestação que reuniu cerca de 700 pessoas. 

O grupo arrombou algumas portas, danificou parte do lustre logo após o saguão principal; pichou uma parede com o 'A' de Anonymous; danificou três aparelhos de votação das mesas dos vereadores; mexeu no sistema de informática referente à plenária; pichou um quadro com chifrinhos; além de jogar tinta em alguns locais. 

O Presidente da Câmara não quis dar declarações à imprensa e informou que está aguardando a chegada de um restaurador pra poder avaliar o prejuízo. A Câmara volta a funcionar nesta quinta-feira, com plenária às 16h. 

Funcionários fazem limpeza na porta da Câmara de VereadoresSeverino Silva / Agência O Dia


O ato começou por volta das 16h, quando manifestantes passaram pelo Ministério Público onde entregaram uma carta ao procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Marfan Vieira.Em seguida, passaram pelas escadarias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e seguiram em direção à Câmara dos Vereadores.

Na Avenida Almirante Barroso, um manifestante foi detido com pedras na mochila e foi levado para a 1ª DP (Praça Mauá), segundo o tenente-coronel Mauro Andrade.

Funcionário limpa vidros quebrados na Câmara dos VereadoresSeverino Silva / Agência O Dia


O clima ficou mais tenso entre policiais e ativistas. Um grupo de manifestantes forçou a entrada no prédio da Câmara dos Vereadores. Algumas pessoas se retiraram do local após negociação, no entanto ainda há um grupo ocupando a Casa. Houve quebra-quebra e correria nos arredores da Câmara, onde foram ouvidos gritos inspirados em uma das mais tradicionais marchinhas de Carnaval: "Ô, abre-alas, que eu quero passar".

Em confronto generalizado, os policiais passaram a usar tiros de borracha e bombas de gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes. Quatro coquetéis molotov foram lançados na direção do prédio. Três manifestantes e um policial ficaram feridos por pedradas.

Manifestante que entrou na Câmara dos Vereadores disse que policiais fizeram ‘corredor polonês’ para retirá-los de láAndré Luiz Mello / Agência O Dia


Carta pede investigação de Cabral

Uma carta com várias reivindicações foi entregue no MP por 10 pessoas que foram eleitas durante plenária do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) na terça-feira. O documento exige a abertura de inquérito para investigar os excessos da polícia; uma investigação sobre os atos do governador Sérgio Cabral; outro processo investigativo para a ação dos policiais à paisana infiltrados nos protestos; a quebra de sigilo telefônico de Cabral, do prefeito Eduardo Paes e de todos os envolvidos no escândalo da Delta; além da revisão do monopólio dos contratos de concessão de tranportes.

No último domingo, mais de 100 pessoas protestaram na Rua Aristídes Espínola, no Leblon, onde mora o governador. Em clima bem-humorado, os manifestantes chegaram a dançar quadrilha e reforçavam os pedidos de investigação ao proferir palavras de ordem contra Cabral. A PM, com 40 homens identificados por letras e números nos coletes e bonés, acompanhou o ato, que não registrou tumulto.

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