Por thiago.antunes

Rio - Técnicos da Cedae ainda trabalham no levantamento dos danos materiais causados pelo vazamento ocorrido na adutora Henrique Lages, em Campo Grande, nesta terça-feira. Após a conclusão do inventário, os moradores serão acompanhados por funcionários do setor de segurança patrimonial a lojas onde escolherão novos bens, com todos os custos pagos pela Cedae.

Segundo a empresa, a previsão é de que os moradores comecem a ser ressarcidos nos próximos dias. A companhia pede aos moradores da região não se desfaçam dos bens danificados, uma vez que sua posse facilitará a identificação dos prejuízos. Além disso, a Cedae também está concedendo uma ajuda de custos a todas as famílias desabrigadas para despesas como remédios e produtos de higiene pessoal e forneceu material escolar – cadernos, lápis, borrachas, canetas e apontadores – para as crianças.

Policiais civis que investigam obra em terreno perto de adutora em Campo Grande voltaram ao local nesta quintaCarlos Moraes / Agência O Dia

Caso alguma família ou morador não tenha sido cadastrado, pode procurar os funcionários da Cedae de coletes azuis que estão no local atingido pelo vazamento, fazendo o levantamento das perdas materiais.

Ao todo, 98 pessoas de 24 famílias estão hospedadas desde terça-feira no hotel Hotelon, na região central de Campo Grande. Além disso, psicólogos e assistentes sociais do quadro da companhia prestam atendimento diário às vítimas. Ao todo, 86 famílias ou 230 pessoas ficaram desabrigadas, mas as demais escolheram ficar nas casas de parentes.

A Defesa Civil também continua no local vistoriando os imóveis e até o momento identificou 48 casas atingidas de alguma forma pelo vazamento. Destas, 13 foram condenadas, e já foram demolidas pela Cedae.

Delegada: Planta de obra não indica onde passava adutora da Cedae

A delegada da 35ª DP (Campo Grande) Tatiane Damaris, que está coordenando as investigações do rompimento da adutora da Cedae em Campo Grande, na Zona Oeste, informou, nesta quinta-feira, que apreendeu a planta da obra feita pela construtora RG Projetos, contratada pela fábrica de bebidas Guaracamp. Segundo os peritos e o próprio pessoal da Cedae, o caminho onde passava a adutora não está indicado na planta. "Há uma falha clara no planejamento da obra", disse a delegada.

O diretor de Produção e Grande Operação da Cedae, Jorge Briard, informou que não foi notificado da obra de terraplanagem e acrescentou que em nenhum momento a Cedae foi comunicada sobre o procedimento.

O engenheiro e dono da RG Projetos, Kleber Ribeiro, e um funcionário prestaram depoimento nesta quinta-feira. Eles afirmaram que não executam obras.

Delegada Tatiane Damaris acompanhou perícia nesta quinta-feira em Campo GrandeCarlos Moraes / Agência O Dia

"A RG é responsável por projetos estruturais. Não faço obra, terraplanagem ou levantamento topográfico. Fui contratado pela Guaracamp para projetar uma casa de máquina de refrigeração dentro do terreno e entreguei isso em março. Encontraram essa planta e querem colocar a culpa na RG. Estou absolutamente tranquilo. Não temos nenhuma responsabilidade", disse Kleber.

Questionado se ele sabia quem começou a obra que teria causado o rompimento da tubulação, Kleber disse que não tem "a menor ideia". Kleber e Denis disseram que na próxima segunda-feira irão entregar toda a documentação assinada com a Guaracamp à delegada.

O representante da Guaracamp está sendo aguardado na delegacia para prestar depoimento. Na quarta-feira, o responsável pela fábrica de bebidas não compareceu à audiência.

Rompimento de adutora em Campo GrandeSeverino Silva / Agência O Dia

A Justiça determinou, nesta quarta-feira, que a Cedae terá que indenizar todos os moradores que tiveram suas casas e pertences destruídos. Caso a ordem seja descumprida, a empresa terá que pagar uma multa de R$ 100 mil.

O rompimento da adutora da Cedae, na madrugada desta terça-feira, em Campo Grande, atingiu cerca de 200 casas e destruiu mais de 15 casas. Uma criança de 3 anos morreu por conta da inundação no local e mais de 10 pessoas ficaram feridas. As vítimas foram encaminhadas para o Hospital Rocha Faria e já receberam alta. As famílias desabrigadas foram cadastradas pela prefeitura e estão hospedadas no hotel Hotelon, no Centro de Campo Grande.

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