Por tamyres.matos

Rio - A Polícia Civil investiga a ação de um casal integrante da Marcha das Vadias no último sábado durante um protesto em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Com a praia lotada de peregrinos católicos por ocasião de um dos eventos da Jornada Mundial da Juventude, um homem e uma mulher destruíram imagens de santos e sentaram em crucifixos. A informação foi antecipada pelo Informe do DIA.

De acordo com o delegado José William de Medeiros, da 12ª DP (Copacabana), alguns das garotas já foram identificadas e serão convocadas a prestar depoimento. Um inquérito já foi instaurado para apurar o caso. 

É livre o direito de se manifestar, no entanto atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou de não ter religião são crimes ligados à intolerância religiosa.

Tumulto

Apesar do choque de ideologias, tudo corria bem, até que por volta das 14h30 de sábado formou-se uma pequena confusão. Um grupo de cerca de 50 peregrinos encontraram os ativistas da Marcha das Vadias. Os fiéis iniciaram a provocação, fizeram gestos obscenos e entoaram os versos "Esta és la juventud del Papa".

Argentinos chegaram a balançar grades, mas o confronto não chegou às vias de fato. As manifestantes responderam as provocações dançando, mostrando os seios e rebolando. Gritos contra o Papa e a Igreja eram entoados em meio às "Vadias". No entanto, o auge da tensão foi quando um casal começou a quebrar santos e sentar sobre cruzes.

“É um momento sagrado para nós e o protesto deveria ser menos agressivo. Rezei um terço e pedi que Jesus os abençoasse”, disse a fiel Eulália Cabral, 56, espantada com a cena.

Antes do protesto, a ativista Rogéria Pexinho, havia afirmado que o objetivo da marcha não era entrar em confronto ou provocar religiosos. "A gente não quer confronto com religião. Nós queremos protestar contra o Estado", disse.

O movimento, que luta contra a violência sexual, defende a legalização do aborto e é contra a utilização de dinheiro público em eventos religiosos, também pediu explicações para o desaparecimento do pedreiro Amarildo, da Rocinha.

Segundo seus representantes, a Marcha das Vadias luta contra a violência sexual, defende o direito das mulheres de usarem o corpo como quiserem, luta pela legalização do aborto, contra os investimentos superfaturados em eventos religiosos, contra a violência policial nas manifestações populares e levanta a bandeira do pedreiro Amarildo, que está desaparecido desde o dia 14 de julho quando foi levado para a sede da UPP da Rocinha.

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