PM teria jogado bomba em festa infantil no São Carlos

Sargento foi afastado da UPP após O DIA denunciar supostos abusos na comunidade

Por O Dia

Rio - Quem observa o menino Eric, hoje com 12 anos, jogando bola no Morro dos Prazeres, não imagina a cicatriz que ele carrega na memória. Porém, após marcar um gol e tirar a camisa para comemorar, as marcas físicas se mostram visíveis na pele da criança, que, segundo parentes, foi atingida por bomba de efeito moral lançada contra a casa da família num aniversário.

Ainda segundo familiares do garoto, o culpado tem nome: o sargento Gilson, que teria lançado o explosivo. Quinta-feira, o PM foi afastado da UPP do São Carlos, após O DIA publicar denúncias contra ele feitas por Aldir Silva, presidente de associação dos moradores daquela comunidade de baixa renda.

Idoso de 67 anos afirmou que foi humilhado por Gilson no Morro da Mineira numa madrugada de sexta-feiraJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

O caso foi registrado na 7ª DP (Santa Teresa) como lesão corporal pela mãe de Eric, Maria Creuza, em 18 de fevereiro de 2012. O menino sofreu queimaduras no peito e precisou ficar internado três dias. Ao tomar conhecimento sobre o afastamento do PM em outra comunidade, os parentes ficaram esperançosos de que o novo caso acelere o processo que está sendo movido pela família contra o Estado do Rio de Janeiro.

Uma irmã do garoto disse que ficou traumatizada ao presenciar a explosão que feriu Eric. “Lembro como se fosse hoje. Estávamos fazendo o aniversário do Eric na laje, e o sargento Gilson passava pedindo para desligar o som, pois não gostava de festas. Minutos depois, jogou uma bomba dentro de casa”, disse a adolescente, de 16 anos.

Os quase 18 meses que se passaram também não foram suficientes para outra irmã apagar da memória a cena que a fez passar muitas noites em claro. “Depois do barulho, a única imagem que ficou foi a do meu irmão todo queimado, gritando no chão. Na hora, pensei que ele estava morrendo. Foi horrível”.

Gilson chefiaria o ‘Bonde dos Carecas’, que, segundo relatos, implantava toque de recolher no São Carlos, dava tiros para o alto e abusava ao revistar mulheres. Esses cinco policiais ainda são acusados de usar toucas ninja para espalhar o terror naquela comunidade do Estácio.

Idoso diz ter levado tapa na cara do PM

Além da criança, marcas supostamente deixadas pelo sargento ficaram na lembrança de um idoso de 67 anos no Morro da Mineira. Ao saber do afastamento do policial, o aposentado sentiu-se à vontade para detalhar as agressões:

“Passei por ele subindo a escada do São Carlos numa madrugada de sexta-feira. Ele perguntou o que eu estava fazendo na rua e me jogou contra a parede. Quando perguntei qual era a alegação, ele me deu um tapa na cara e disse que a alegação era eu não ter nada demais para fazê-lo perder tempo. Nunca passei por isso, me senti muito humilhado e me calei com medo, na época”, disse.

A PM informou que o o capitão Ricardo Alves, comandante da UPP São Carlos, afastou imediatamente o oficial após o recebimento das denúncias. E reforçou que o oficial tem uma relação de diálogo com os moradores da favela do Estácio.

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