Por tamyres.matos

Rio - A vida no centro nervoso do Rio reserva curiosidades impensáveis para os milhares que por ele transitam freneticamente de segunda a sexta-feira. O corre-corre, o barulho dos carros, a fumaça dos ônibus, tudo isso dá lugar, aos domingos, a um silêncio que remete a cidades de interior. Mas a tranquilidade dominical tem seus contratempos.

Padarias abertas, não há. Supermercados, tampouco. As centenas de farmácias e bancas de jornais estão fechadas. Restaurantes, só na Cinelândia, com preços formatados para turistas e frequentadores do sofisticado Theatro Municipal.

Casal Luisa Andrade e Leandro Dodaro tem a Avenida Rio Branco inteira para chamar de sua aos domingosAndré Mourão / Agência O Dia

“Todas as noites o silêncio já reina aqui, mas no domingo é o dia todo. Não se ouve nada. Acho espetacular morar no Centro. Estou a dez minutos da praia ou do Maracanã, ao lado da Lapa, perto de tudo”, elogia o professor de Sociologia João Paulo Rangel, 34 anos, rubro-negro e sambista de primeira.

NINHO DE TESOUROS

O casal Luísa Andrade e Leandro Dodaro, de 28 anos, ambos professores de Educação Física, também é apaixonado pela região que destinaram para seu ‘ninho’. Especialmente aos domingos, quando eles têm a Avenida Rio Branco deserta para andar de bicicleta e patins.

“Durante a semana é tanta correria, tanta gente, que fica impossível perceber algumas peculiaridades, alguns tesouros do Centro. Sempre que a gente passa aqui pela Rio Branco percebe uma coisa nova”, comenta Luísa.

As maravilhas aos domingos não são um privilégio apenas dos moradores da região central da cidade. O técnico em informática Sergio Guimarães, de 47 anos, sai do Méier, para dar plantão uma vez por mês no escritório da empresa, na Rua Álvaro Alvim. Na saída, tem tempo de sobra para saborear as delícias de um boteco nem um pouco badalado, mas conhecido por quem mora por ali: o Cantinho.

João Paulo Rangel destaca a praticidade de morar perto de tudoAndré Mourão / Agência O Dia

“A comida é mesmo deliciosa. Costelinha, rabada, mocotó. É o único que abre, além do Amarelinho e dos que servem apenas para turista”, conta Sérgio.

Mais tempo para o lazer

A administradora de empresas Karla Souza, de 36 anos, trocou o conforto da casa dos pais, em Duque de Caxias, por um apartamento conjugado na Avenida Treze de Maio. O motivo? O tempo que gastava diariamente para chegar ao trabalho. Não imaginava ter feito a escolha mais certa da suas vidas profissional e pessoal.

“Eu perdia cerca de cinco horas no trânsito todos os dias para ir e voltar de casa para o trabalho. Isso não era vida. Agora, demoro cinco minutos a pé. Vendi o carro e tudo. Ganhei muito tempo. Para estudar, descansar, sair com os amigos”, conta Karla.

Segundo ela, o único inconveniente de morar no Centro é a falta de segurança nos finais de semana, sobretudo à noite. Mas todo o restante compensa.

“Para mim, que sou mulher, é ainda pior. Não existe a menor possibilidade de sair ou chegar em casa à noite se não for de táxi. No sábado, é tranquilo até o fim da tarde, mas à noite fica complicado. Domingo é esquisito o dia todo”, lamentou.

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