CPI dos Ônibus: presidência passa por disputa política

Manobra pode impedir que vereador que propôs comissão assuma posto, como é tradição

Por O Dia

Rio - Prevista para ter sua primeira audiência na quinta-feira, a CPI do Ônibus da Câmara Municipal do Rio ainda não tem presidente definido. Por uma tradição da Casa, o parlamentar que propõe a investigação — neste caso, Eliomar Coelho (Psol) — é o que lidera os atos da comissão. No entanto, nos bastidores fala-se numa manobra para que o vereador da oposição não assuma o posto.

Eliomar, no entanto, já mandou o recado: não abre mão de ser presidente. Ele afirma que essa é a garantia que pode oferecer à população de que a CPI não vai acabar em pizza. “Tenho dito o tempo todo que eu não acredito (que vai acabar em pizza), porque eu vou ser o presidente da comissão. A gente não consegue, de forma alguma, aqui na Casa aprovar qualquer projeto que contrarie os interesses dos empresários de ônibus da cidade do Rio”, afirmou o vereador, que já planeja convocar o ex-secretário municipal de Transporte, Alexandre Sansão, o atual, Carlos Roberto Osório, e empresários do setor de ônibus.

Eliomar Coelho (Psol) foi o autor do pedido de criação da comissãoJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Os outros integrantes da CPI são Chiquinho Brazão, Professor Uóston, Jorginho da SOS (todos do PMDB) e Renato Moura (PTC). Os quatro não assinaram o pedido de CPI, mas foram escolhidos porque fazem parte do bloco majoritário da Câmara.

Coincidentemente, o único episódio em que a regra da escolha da presidência foi quebrada ocorreu em 1997, quando foi instalada a CPI para investigar as tarifas de ônibus e a cartelização no setor. O então vereador Edson Santos, que foi quem fez a proposta, entrou apenas como membro. O relatório concluiu que não houve inadequação da tarifa e negou a existência de cartel. Na época, Santos disse: “Se (o relatório) fosse feito por empresários, não seria tão bem feito”.

‘As manifestações nos deram a oportunidade para investigar’

No relatório da CPI dos Ônibus de 1997, os vereadores concluíram que “se existe qualquer deformação na apuração dos custos (para as tarifas), essa não milita em favor das empresas”.

Outro tópico que chamou atenção é o que diz que “a tarifa de R$ 0,60 (valor da época) é política, visto que inferior ao custo apurado pela planilha da Prefeitura do Rio”. O trecho sugere que o valor da passagem estava abaixo do que poderia cobrar os empresários de ônibus. Os parlamentares chegaram a dizer que a passagem poderia ser de R$ 0,69.

Para o vereador Eliomar Coelho, o cenário na Câmara agora só é diferente porque houve pressão das ruas, caso contrário a comissão nem sairia do papel. “Provavelmente, se fosse há seis meses, não haveria nem CPI. As manifestações nos deram uma oportunidade para investigar a verdade sobre o sistema de ônibusna cidade”.

Alterações na Zona Sul

A Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) extinguiu seis linhas de ônibus na Zona Sul e criou outras cinco para substituí-las. Deixaram de circular ontem a 521 (São Conrado x Botafogo – via Copacabana), 522 (São Conrado x Botafogo – Jóquei), 546 (São Conrado x Leblon – via Estrada da Gávea), 591 (São Conrado x Leme – via Copacabana), 592 (São Conrado x Leme – via Botafogo) e 593 (Leme x São Conrado – via Rocinha).

As cinco novas linhas circulares são: 535 (Vidigal x Copacabana, via Avenida Niemeyer/Ipanema); 536 (Vidigal x Botafogo, via Avenida Niemeyer/Jóquei); 537 (Rocinha x Leblon, via Gávea); 538 (Rocinha x Botafogo, via Jóquei) e 539 (Rocinha x Leme, via Copacabana).

Incentivos a moradias na área do Porto

A Prefeitura do Rio vai encaminhar à Câmara dos Vereadores, até o fim deste mês, projeto de lei que estende o prazo de benefícios fiscais — como isenção de IPTU e ITBI — a quem deseja erguer ou reformar imóveis residenciais na Região Portuária. O anúncio foi feito pelo prefeito Eduardo Paes, ontem, após a detonação para a abertura do Túnel do Binário, que faz parte do projeto Porto Maravilha e deverá ser inaugurado no ano que vem. “Isso significa o resgate do Centro, abandonado tantos anos. E vamos melhorar a mobilidade na região, com Veículo Leve sobre Trilhos (VLT)”.

O túnel faz parte da Via Binário do Porto, que segue da Rua Primeiro de Março até a Rua Rivadávia Correia. A via terá 3,5 Km e três faixas por sentido.

Passageiros sofrem com falta de avisos das mudanças

Usuários de ônibus sofreram ontem com a falta de informação sobre as mudanças das rotas na Zona Sul e pela extinção da Linha 592 (São Conrado-Leme/Via Jóquei). A auxiliar de administração Cristiane Bruno, 40 anos, esperou por mais de uma hora o coletivo 592, que foi extinto sem ter uma linha como substituta. “Eu não sabia que tinha acabado. É uma vergonha ninguém avisar nada”, indignou-se, após ser comunicada pela equipe do Dia.

O comerciante Wilson Jorge, 48 anos, reclamou que teria de caminhar por um quilômetro. “Agora, eu vou ter que ir andando até a Praia de Botafogo”, reclamou ao ser informado em um ponto na Rua Voluntários da Pátria. A SMTR disse que as linhas foram apresentados às associações de moradores e que estão em fase de teste por até 30 dias.

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