BRT ‘de pobre’ na Zona Oeste

Moradores da região sofrem com obras paradas, ao contrário da Barra, onde tudo funciona

Por O Dia

Rio - Enquanto o BRT Transoeste de Santa Cruz a Campo Grande não vem, moradores de região reclamam de filas e demora na espera pelos ônibus convencionais e do dinheiro desperdiçado com a estrutura das estações fantasmas que estão sendo depredadas. Como O DIA publicou ontem, as estações estão abandonadas desde que o contrato com a empreiteira que deveria ter entregue as obras em janeiro, a Sanerio, foi cancelado. Uma nova empresa, a Mascarenhas Barbosa, vai assumir os trabalhos.

José Sousa, de 52 anos, queixava-se ontem de que estava esperando por 50 minutos o ônibus na Avenida Cesário de Melo para pegar a primeira das duas condições que precisa para ir até seu trabalho, em Nilópolis: “Facilitaria muito a minha vida se o BRT estivesse funcionando. Lá na Barra e no Recreio funciona, é muita falta de consideração com o povo daqui”.

A busca de emprego, que faz Rosellene Cavalcanti, de 27 anos, ter que rodar por toda a cidade, é mais difícil ainda com a falta de opções de transporte: “Se o BRT estivesse funcionando, conseguiria bater na porta de mais lugares por dia”. O casal Rafael de Sousa e Rayelle de Silva, de 17 e 23 anos, que teve o BRT como um das motivações para a mudança de Bonsucesso para Campo Grande, também demonstrava frustração com as estações fantasmas. “Do jeito que está, sem ninguém aqui, parece que não vai funcionar tão cedo”, concluiu Rafael.

Menina de 4 anos caminha por uma das 15 estações-fantasma do BRT Transoeste%2C na Av. Cesário de MeloJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Desvirtuado de suas funções principais, o esqueleto da obra deixado nas imediações do bairro Inhoaíba virou também motivo de preocupação e até um perigoso parque de diversões para a população local. A menina Ana Clara, 4, filha do técnico de enfermagem Flávio Cardoso, 34, brincava entre as estruturas abandonadas.

“Ela gosta de passar aqui por cima da passarela porque é alto e dá para ver as casas de cima”, explicava Flávio. Porém, o bombeiro Adilson Medeiros, 31, chamava atenção para carros que passavam em alta velocidade na pista que deveria circular o BRT, e de motoristas que utilizavam o trecho para estacionamento. “Se não prestar atenção, é atropelado”, afirmou.

O pedreiro José Pereira, que passava por uma das estações que tem marcas de tiro na vidraça, alertava para o desperdício de dinheiro público: “É um dinheiro que poderia estar sendo investido em educação e saúde.”

Empresa vai contestar cancelamento

A empreiteira Sanerio, que teve o contrato cancelado com a prefeitura, disse que entrará semana que vem com o pedido de medida cautelar na Justiça para a produção de provas com o intuito de atestar o que foi faturado e realizado na construção. O objetivo da construtora é provar que havia condições de a empresa entregar as obras no mês que vem.

Além disso, queixou-se do fato de a prefeitura contratar uma nova empreiteira, a Mascarenhas Barbosa Roscoe, sem licitação e pagando R$ 2 milhões a mais do que o combinado em 2011 (R$ 19 milhões), para a construção das 15 estações que faltam.

Segundo a Secretaria Municipal de Obras, o novo valor corresponde a uma atualização, que ajusta os custos de materiais e serviços. A nova empreiteira tem até o final do ano para entregar as estações.

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